Como havia muitas tripulações conhecidas no clube, por conta da Regata Noronha – Natal de 2002, eles ainda nos permitiram levar mais duas pessoas. Nélson nos conseguiu uma vaga no píer para deixar o MaraCatu e lá fomos nós, mais Orion, Neca e a cachorrinha Belinha, do veleiro Bicho Papão, com quem, depois, esticamos até a pouco explorada vila de Galinhos – mas isso é assunto para um outro post.
O circo era bem mambembe, do tipo “tomara que não chova”, pois não tinha nem teto, e tocado só por um casal e o filho. Quando chegamos à bilheteria a fila era grande, mas nossos anfitriões deram um jeito e compraram ingressos para os amigos e para o resto da fila (a 30 centavos para os locais e 50 para os “estrangeiros”, como nós). Depois disso ganhamos cadeiras especiais, na boca do picadeiro.
“Vocês podem mudar de lugar durante o número do trapézio?”, pediu o malabarista, para em seguida explicar com ar preocupado: “é que quando a corda arrebenta, meu pai costuma cair exatamente onde vocês estão”. Eu já disse que o circo era mambembe?
Depois de muito suspense, chegou a hora do grande número. Fiquei matutando que truque seria aquele. Rufam os tambores, a luz é dirigida em foco para o fundo do picadeiro e aparece a mãe do malabarista, uma senhorinha baixa e um pouco acima do peso, com um cachorrinho preso na coleira. Eles vão lentamente até a boca de cena, o cachorro se deita, ela se agacha, vira o cachorro para um lado, depois para o outro e… termina o espetáculo.
Silêncio total. Quando a ficha caiu , pipocou uma gargalhada aqui, outra acolá e um caloroso aplauso. Entendeu? Não sei você, mas eu achei genial.
Publicado no maracatu weblog por Helio Viana
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