Amir Klink
Viajar de veleiro
A maravilha de se viajar de veleiro é que basta que se decida ir para algum lugar, tudo que se tem que fazer é levantar a âncora,içar velas e ir embora.Essa sensação de liberdade é fabulosa,é quase como ter asas e voar livremente,basta bate-las.Helio Setti Jr.
Tem que ir, ver e sentir!
"...Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu, para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor, e o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o seu próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver..."
Amir Klink
domingo, 8 de janeiro de 2012
Não há limite de idade para se aventurar
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VILFREDO SCHÜRMANN
No final das minhas palestras, sempre abro espaço para perguntas. Duas delas são recorrentes. A primeira é o significado da palavra Aysso, que dá nome a nosso veleiro. Quer dizer formoso, em tupi-guarani.
A segunda é sobre a idade para se lançar a uma aventura, como uma volta ao mundo. Há quem pense que aos 50 anos não dá mais para iniciar um projeto como esse. Aí, conto uma história fascinante – e verdadeira – sobre meu amigo americano Harry Hackel Jr. É um exemplo de como não há idade-limite para quase nada.
Conheci Harry Hackel em Richard Bay, uma pequena cidade ao norte de Durban, na África do Sul, em 1993. Ele tinha barba branca e estava sentado num banquinho preso ao mastro, checando os cabos e as velas. Quando chegou ao topo do mastro, a 15 metros de altura, um francês começou a gritar para que ele descesse, porque era muito perigoso. Ele fez sinal de calma e continou seu trabalho. Quando desceu, o francês e eu fomos conversar com ele.
Harry estava com 78 anos. Aos 56, aposentou-se e começou a reforma do veleiro, de 32 pés de comprimento (9,77 metros), que durou dois anos. Quando o veleiro ficou pronto, ele e a mulher saíram navegando. Foram 11 anos juntos no mar, até que ela teve um câncer de mama e morreu. Ele não parou. Seguiu viajando pelo mundo.
Perguntei como fazia para navegar sozinho. Harry disse que não tinha segredo, só evitava passar por rotas de navios para reduzir o risco de colisões e poder dormir à noite sem ninguém de plantão. Ao escurecer, recolhia todas as velas e pendurava na proa um lampião de querosene grande que emitia uma forte luz. Depois, ia para o interior do veleiro jantar e descansar. Quando amanhecia, preparava o café, subia as velas e seguia viagem. “Só me dou ao direito de uma extravagância: todos os dias tomo um cálice de Martini às 16 horas.” Harry passa o tempo lendo livros de história, poesia e mistérios. Ele me contou que seguiria então para o Cabo das Tormentas (a média de tempestades nesse lugar é uma a cada 36 horas), para a cidade do Cabo e para Portugal. “Li que há umas sardinhas saborosas e bons vinhos por lá.”
Harry deu duas voltas ao mundo, capotou duas vezes na costa de Madagascar e no Japão. A travessia do Japão para San Francisco tinha previsão de durar 60 dias. Com os acidentes, levou 142. Harry tem quatro filhos, nove netos e sete bisnetos. Foi a pessoa mais velha a completar uma circum-navegação. Está com 92 anos, e continua navegando. Quando chegou de sua última volta ao mundo, disse: “Agora estou preocupado, meu veleiro está ficando velho”.
Post da revista Época
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Como captar recursos para uma expedição de volta ao mundo?
Vilfredo Schürmann fala um pouco desse assunto que é do interesse de todo cruzeirista e quem planeja um dia se-lo.
“Se aventurar em uma expedição de volta ao mundo, a bordo de um veleiro, requer planejamento, gestão e claro, recursos. A primeira vez que fomos a busca de recursos foi quando perdemos os dois mastros, velas, equipamentos eletrônicos, em uma tempestade violenta nas costas da Nova Zelândia.
Passado o susto, decidi que teríamos condições de buscar recursos para cobrir o prejuízo. Escrevi para uma empresa do ramo de soja, a Ceval Alimentos, hoje Bunge Alimentos, sobre o ocorrido e que estávamos em busca de patrocínio para a recuperação do veleiro.
Nos responderam questionando qual seria o retorno institucional que nós iríamos dar.
Após montar um projeto detalhando, Heloisa e eu viajamos ao Brasil. A imprensa deu uma cobertura completa, era a primeira família brasileira a dar a volta ao mundo em um veleiro. A história da tempestade que enfrentamos rendeu matérias na revista Veja, no jornal o Estado de São Paulo. Na TV Globo, participamos do programa do Jô Soares. Em todas as aparições, estávamos com a camiseta da Ceval.
Voltamos à Nova Zelândia com a missão cumprida, com os recursos do patrocínio e o retorno na mídia para o patrocinador.
Depois de 10 anos no mar, em 1994 voltamos ao Brasil, conseguimos que a Ceval participasse novamente do projeto de chegada. Além dela, duas outras empresas catarinenses, a Tigre e a Artex também.
A chegada foi uma repercussão nacional, com capa da revista Veja e dois programas no Fantástico.
Durante três anos preparamos uma nova expedição que se denominou Magalhães Global Adventure.
Tínhamos muitas histórias a contar. Iniciamos um ciclo de palestras empresariais que nos deu uma visão maior na busca de recursos para a nova expedição.
Seria a segunda volta ao mundo, um projeto ousado que precisou de um esforço extremo na busca de empresas que investissem em um plano em longo prazo. O nosso maior desafio foi convencer os diretores de marketing que eles estariam entrando em um projeto cujo retorno institucional e publicitário viria a médio e longo prazo, e que ele deveria desembolsar recursos financeiros um ano antes de iniciar a expedição.
A viagem durou dois anos e meio, foi transmitida todos os meses para todo o país pelo programa Fantástico e contou com um projeto educacional via Internet reconhecida até mesmo pela UNESCO. A marca dos patrocinadores foi levada aos quatro cantos do planeta e o projeto se tornou um case de marketing.
Em novembro, em São Paulo eu serei um dos palestrantes do 5º Congresso Hemisférico de Captação de Recursos da América Latina. O evento é promovido pelas Faculdades Integradas Rio Branco e a Association of Fundraising Professionals (AFP), maior e mais reconhecida organização mundial nessa área, com sede em Arlington, Estados Unidos.
O congresso vai reunir lideranças de instituições de ensino e entidades do Terceiro Setor para debater, trocar experiências e mostrar que é possível desenvolver a cultura de captação de recursos (fundraising) no nosso país. A ideia é apresentar as estratégias para essa atividade, seja ela por meio da mobilização de recursos financeiros ou humanos, aumentando, assim, a capacidade da instituição e sua importância na sociedade civil.
Estarão presentes o deputy manager responsável pela captação de recursos da campanha eleitoral do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama; Daniela Barone, considerada uma das pessoas que faz o Reino Unido feliz e CEO da Impetus Trust, ONG que ganhou o Charity Awards em 2008, prêmio equivalente ao Oscar das organizações filantrópicas inglesas; dentre tantos outros.
Para se inscrever, saber mais informações e conferir a programação completa, basta acessar o site do Congresso:www.fundraising.com.br.
Encontro vocês por lá!
Bons Ventos”
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Uma conversa cheia de histórias de Vilfredo Schürmann com Heinrich Hoffmann Dietrich
Estive com o Sr. Heinrich Hoffmann Dietrich, que veio ao Brasil para visitar seu filho Wolf, que reside em Curitiba.Fizemos uma entrevista de mais de duas horas na sede oceânica do Iate clube de Santa Catarina.
Heinrich vai completar 90 anos em agosto e foi comandante do submarino alemão, o U-141, durante a Segunda Guerra Mundial.
O alemão nos contou que foi convocado pela Marinha com 19 anos de idade. Seu avô foi almirante e o pai comandante de navio durante a Primeira Guerra.
Após ser tripulante em três submarinos, Heinrich chegou ao cargo de comandante do U-141 aos 23 anos.
Ele nos contou muitos episódios da Guerra. "Quando atravessamos o Atlântico com destino ao Canadá, encontramos no meio do mar uma balsa salva vidas com quatro tripulantes de um submarino alemão afundado", revelou.
A base de operações durante a guerra, nos Países Nórdicos, era lotada na época. Antes da Guerra havia uma relação muito estreita entre a marinha alemã e inglesa. Em um outro episódio de guerra, Heinrich nos disse que estavam navegando a noite para bombardear um comboio inglês que estava levando armas para a Rússia. O mar ficou muito agitado após uma tempestade de 84 Km/h. Um dos navios alemães da flotilha foi atacado. Era o navio que o pai dele havia comandado. A flotilha foi orientada a resgatar os sobreviventes, mas não conseguiram porque já estava de noite.
Devido ao frio a maioria dos tripulantes morreram e somente 35 foram salvos pelos navios ingleses. "Existia um respeito muito grande entre a Marinha dos dois países", afirmou.
Heinrich comandou o submarino U-141 até o final da guerra, como um submarino de adestramento.
Foram muitas histórias contadas! Ele com 90 anos de idade ainda dirige seu Mercedez e está muito bem de saúde. Depois da guerra, Heinrich trabalhou com uma empresa de logística na Alemanha e conquistou sucesso profissional. Comprou veleiros e navegou muito pelo Mar Mediterrâneo.
Como estamos na busca do submarino U-513 na costa de Santa Catarina, o depoimento dele foi de grande valia para algumas questões técnicas que tínhamos dúvida. Na semana de Carnaval fomos ao mar em pesquisa e ainda não localizamos o U-513.
O Aysso foi adaptado na popa com um guincho elétrico para a operação do site scan sonar, um equipamento que fotografa o fundo do mar, realizadas pela empresa Coastal Planning & Engineering do Brasil.
As imagens são de um barco afundado embaixo da ponte Hercílio Luz, em Florianopólis. A empresa está dando suporte técnico na busca do U-513.
Abraços,
Vilfredo Schürmann
Fotos: Todd Southgate