Viajar de veleiro



A maravilha de se viajar de veleiro é que basta que se decida ir para algum lugar, tudo que se tem que fazer é levantar a âncora,içar velas e ir embora.Essa sensação de liberdade é fabulosa,é quase como ter asas e voar livremente,basta bate-las.

Helio Setti Jr.

Tem que ir, ver e sentir!


"...Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu, para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor, e o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o seu próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver..."


Amir Klink



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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Do Rio Grande do Sul a Noronha

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O sotaque não esconde. Eles são do Rio Grande do Sul. Mas, nada de Porto Alegre ou alguma cidade pertinho da capital gaúcha. Na verdade, eles vieram de Jaguarão, município que fica a 400 km de Porto Alegre e faz fronteira com o Uruguai. É de lá que veio a tripulação do barco Rebojo I, comandada por Ernesto Pires, 71 anos. A embarcação ganhou o prêmio especial de "Barco brasileiro de local mais distante”, na 22ª Refeno. Ernesto mais dois tripulantes saíram do Rio Grande do Sul no início de junho e chegaram ao Recife no dia 20 de setembro.
Foi uma viagem longa, porém muito proveitosa, já que foi a primeira vez que eles tinham velejado pelo Nordeste do Brasil. “ Nós nunca tínhamos velejado do Rio de Janeiro para cima. Então, essa foi uma oportunidade que tivemos de conhecer o Nordeste do Brasil. A viagem foi boa, e pegamos ventos muito fortes. O que encontramos de diferente em velejar por essa parte do país foram as chuvas repentinas. No Sul, não tem isso”, afirmou Pires, acrescentando que se sente lisonjeado por ter ganhado o troféu.
Ao longo da travessia Rio Grande do Sul- Noronha, eles falaram que não enfrentaram nenhum problema, mas deram um susto em várias pessoas. É que de Salvador a Maceió, eles tinham combinado com alguns barcos maiores de fazer esse percurso juntos. Mas, como o Rebojo era menor que as outras embarcações, acabou ficando para trás. A distância foi tanta dele em relação aos outros barcos, que estes acabaram perdendo o contato com os gaúchos. “Eles tinham chegado de manhã e nós tínhamos chegado à noite, mas só quisemos entrar no porto pela manhã. Todos ficaram muito preocupados conosco”, afirmou Pires. A história que já foi motivo de angustia, agora é contada de forma bem humorada.
Ernesto e seus amigos-tripulantes, Carlos Wilson Vera e Antônio Azambuja, contaram que o que os motivou a fazer a essa viagem foi a aventura. “Mais legal ainda será a volta, porque iremos parar em várias cidades”, disse Carlos Wilson. “Para fazer uma viagem como essa é preciso ter coragem. Quem tem medo, nunca viria de barco. O segredo para não acontecer acidentes é respeitar o mar. O mar será sempre o mar. Temos que adaptar o barco para as condições dele”, falou Ernesto.
E como bom gaúcho, para aguentar tanto tempo no mar, o que não falta em seu barco é o velho chimarrão. Para se ter uma ideia, eles trouxeram mais de dez quilos de erva-mate para preparar a bebida. “Assim, dá para ir e voltar tranquilo”, pontuou Ernesto. A expectativa de chegada a Jaguarão é em dezembro, mais exatamente, às 12h, do dia 24. “Temos que estar lá para o Natal, se não a gente não ganha presente, né?”, brincaram.
Fonte: Raitza Vieira - Diario de Pernambuco

Postado no Popa

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Um pouco de história náutica II


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II. Capítulo de As Fragatas de Vela

As primeiras fragatas na sua concepção dita moderna do Século XVIII deslocavam em geral 400 toneladas mas apareceram depois fragatas de todo o tipo de tonelagem, sendo reconhecidas essencialmente pelo número de peças de artilharia que as armavam.
No âmbito das longas guerras entre franceses e ingleses verificaram-se duas concepções de construção naval. Ambos os países inovaram muito no período que antecedeu a guerra dos sete anos (1756-1763), mas foi criada uma diferença fundamental entre a construção francesa e a inglesa. Os gálicos deram a preferência fragatas muito compridas e rápidas, principalmente sob ventos bonançosos e longos, enquanto as fragatas inglesas eram mais largas de boca. Por isso, resistiam mais ao mau tempo e eram tanto mais rápidos quanto mais forte fosse o vento. A fragata francesa apresentava um menor calado, o que a tornava mais leve, mas ao mesmo tempo limitava a resistência da mastreação aos ventos fortes, enquanto a inglesa com mais calado aguentava muito melhor a borrasca. Só que as batalhas navais dos tempos da vela não eram travadas com ventos muito rijos e, menos ainda, tempestuosos. Nessas circunstâncias, a artilharia não acertava em quase nada e a tão típica abordagem era impossível. Os franceses tinham de defender as suas costas mediterrânicas, pelo que as suas fragatas eram ligeiramente mais rápidas na batalha em mar sereno. Por outro lado, o comprimento dos navios de madeira facilitava o alquebramento; o costado tendia a abrir mais e a ossatura molhava-se com mais facilidade pelo que uma fragata francesa mal resistia a três anos de actividade naval intensa ao contrário das inglesas e dos mais bojudos navios portugueses da época.

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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Um pouco da história náutica I

 
I. Capítulo - As Fragatas à Vela

       Fragata Espanhola de 1710 (?)
A fragata portuguesa S. João Baptista, referida pelo comandante Marques Esparteiro em “Três Séculos no Mar”, foi, sem dúvida, uma das primeiras unidades da nova arquitectura naval que se impôs na vela até ao Século XIX.
A São João Batista parece que foi uma das duas fragatas espanholas apresadas na Ilha Terceira, mais propriamente no Porto Judeu, quando juntamente com uma nau iam levar reforços aos espanhóis que no Castelo de S. Filipe na Ilha da Terceira estavam sitiados pelos açorianos. Estes,  tinham já aclamado D. João IV como seu monarca, tal como o resto do país que acabou com os Habsburgos (Filipes) como reis de Portugal.
Quando as primeiras velas espanholas apareceram à vista da população foi grande o alarido e medo, mas o capitão Roque do Figueiredo, ex-sargento mor da capitania da Praia, meteu-se num barco a remos com vários soldados armados de mosquetes e foi-se à fragata espanhola, saltando de espada em punho a gritar aos espanhóis que se rendessem. Os restantes soldados do escaler subiram igualmente a bordo, o que levou o capitão da fragata a render-se e entregar as chaves dos paióis da pólvora e das dispensas. Figueiredo terá ficado capitão da primeira fragata de guerra da marinha portuguesa. O mesmo aconteceu com a Nau que foi tomada com grande coragem e energia por Mateus de Távora Valadão que a abalroou como se quisesse ir à fala com o capitão da mesma, intimando-o a passar para o serviço de D. João IV. O capitão português da nau não quis obedecer e a mesma levou uma descarga de mosquetes que abateu três castelhanos, levou um braço do piloto e uma perna de um infeliz castelhano que veio a falecer em terra.
A outra fragata espanhola velejava mais atrás e, como tal, não viu o que se passava porque tinha ainda que dobrar um pequeno cabo com uma montanha. Ao ver as duas velas espanholas já tomadas pelos portugueses aproximou-se confiante que ainda estavam em mãos castelhanas. Conforme se aproximava, assim os portugueses senhores da nau e da fragata abriram as portinholas da artilharia e intimaram a fragata a render-se sob pena de levar duas bordadas de artilharia. Claro, ainda não havia guarnição lusa suficiente para os disparos, mas ninguém sabia disso na fragata vinda de San Lucas de Barrameda que se rendeu.
Curiosamente, as primeiras fragatas francesas e inglesas foram também tomadas a espanhóis que as copiaram dos holandeses.
A Origem Holandesa Da Fragata

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