Viajar de veleiro



A maravilha de se viajar de veleiro é que basta que se decida ir para algum lugar, tudo que se tem que fazer é levantar a âncora,içar velas e ir embora.Essa sensação de liberdade é fabulosa,é quase como ter asas e voar livremente,basta bate-las.

Helio Setti Jr.

Tem que ir, ver e sentir!


"...Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu, para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor, e o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o seu próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver..."


Amir Klink


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

De João Pessoa à Barra do Cunhaú

Sem título

O velejador Thelmo Varela e um amigo fizeram uma viagem que mostra, que quando se gosta de velejar e se tem um pouquinho de espirito aventureiro, pode-se desfrutar de um pequeno barco e se gozar uma grande aventura.

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Parabéns ao Thelmo e seu companheiro e que continuem com suas velejadas e quando quiserem contar sobre elas o blog esta a disposição.DSC01764

Segue o relato da aventura.

Dias atrás numa conversa um colega comentou da compra de um HC14 em João Pessoa, ele estava com dificuldade para trazer o barco para Barra de Cunhaú. Fiz "orçamento" por cima: "Velejar uns 70 km com vento leste, num HC14 a uns 10 nós + imprevistos = 6 horas e velejada" ou seja nada impossível de ser feito...

Mas o negócio foi ficando sério... o barco realmente seria comprado e precisaria vir para Natal.

O plano necessitou de revisões: na verdade são 90km, sem muita garantia de velocidade média devido aos ventos mais brandos do verão, barco bem usado, tripulação de 2 pessoas coisa&tal. A previsão foi corrigida para 7 horas e a empreitada dividida em 2 etapas:

1-de JP a Baía da Traição

2-de Baía da Traição a Barra do Cunhaú

O plano era sair de JP umas 09:00 com destino a Baía da Traição, avaliar o desempenho, desgaste da tripulação, horas de sol disponíveis e decidir se continuávamos ou seguíamos no outro dia. 

Dia 16 saímos (eu, o feliz proprietário e a equipe de terra meu irmão, sua esposa e meu pai) às 05:00 com destino a JP, passamos em Bonfim para pegar os estais e acessórios para montar um trapézio, remos, coletes, uns metros de cabo e tudo mais que uma empreitada dessas merece.

Chegamos a JP umas 09:00 fomos inspecionar o barco, trocar uns rebites, manilhas colocar trapézio, prender remos, suprimentos, cabos extra mais meia hora de conversas coisa&tal. Como resultado o barco só foi para água às 10:30 e depois de um test drive seguiu para seu destino às 11:00. A velejada no início foi espetacular vento de uns 15 nós leste e o barco andando muito. Devido ao ótimo desempenho, parcos conhecimentos da região, de termos levado só um pedaço de uma carta náutica (mostrando de Cabedelo a Barra de Cunhaú) e do excesso de confiança que inebria os incautos, confundi a enseada que era Cabedelo com Lucena a achamos que Lucena já seria Baía da Traição. Ou seja, às 12:00 quando pensávamos estar chegando ao nosso primeiro objetivo ainda estávamos na metade do caminho. Para completar após passarmos por um banco de areia em Lucena o vento diminuiu muito e levamos mais umas duas horas e meia para chegar a Baía da Traição com o leme de bombordo desarmando de 20 em 20 minutos.

Chegamos a Baía da traição umas 14:30 e como capitão, apesar da insistência da tripulação em seguir adiante, decidi por encerrar o trajeto daquele dia. Pernoite em Baía da Traição e continuação no próximo dia. Inspecionamos o barco e identificamos o carrinho do moitão da mestra danificado, todo empenado já quase saindo do trilho, teria que seguir no próximo dia amarrado na posição central.

O acidente do percurso ocorreu ao deslocarmos o barco para próximo da pousada ao enfrentar uma arrebentação mais forte, com vento fraco e lemes sem funcionar direito viramos o barco. Quando retornamos ao normal a caixa do leme de boreste estava quebrada na parte superior, bem onde fica a trava do leme. Depressão total do dono do barco com trilho e leme quebrado. Não senti segurança em velejar com o moitão e leme armengados, especialmente pela entrada na boca da Barra de Cunhaú.  Reajustamos o plano para retornar à Natal desmontar uma caixa de leme em Bonfim e retornar no domingo...

Domingo amanheceu com um dilúvio em Natal mas mesmo assim saímos às 06:00. Às 10:00 após os reparos estávamos na água. Mais uma vez a primeira hora de velejada foi espetacular, apesar da tripulação ter ficado meio desesperada, querendo por fina força rizar a vela com medo de uma capotada devido ao vento aumentando a cada minuto a medida que uma nuvem mais escura se aproximava, vela aberta no máximo e o barco correndo como nunca. Em hora e meia já estávamos em frente a Sagi e Baía Formosa já estava próxima.O único imprevisto foi o leme de bombordo que piorou desarmando a cada onda mais forte e teve que seguir amarrado, operação não muito agradável de executar com vento forte e mar grosso.

Passando Sagi o vento que tinha soprado leste desde JP mudou quase para Sul e rendimento diminuiu muito sendo necessário fazermos um rumo em Zig Zag para velejarmos com uma velocidade um pouco maior. Depois de uns 04 jibes com pernas de uns 20 minutos o progresso tinha sido muito pouco e seguimos numa empopada para Barra de Cunhaú.

Entramos no rio através de uma abertura nas pedras em frente a umas barracas na margem sul do rio, arrebentação estava forte mas o barco surfou uma onda das maiores e em pouco tempo estávamos em águas mais abrigadas. Reencontramos com a equipe de terra às 14:30 com a missão cumprida!

Thelmo Varela