Viajar de veleiro



A maravilha de se viajar de veleiro é que basta que se decida ir para algum lugar, tudo que se tem que fazer é levantar a âncora,içar velas e ir embora.Essa sensação de liberdade é fabulosa,é quase como ter asas e voar livremente,basta bate-las.

Helio Setti Jr.

Tem que ir, ver e sentir!


"...Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu, para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor, e o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o seu próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver..."


Amir Klink


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Venha aprender a velejar em Natal

    Muitas pessoas tem a vontade de aprender a velejar, porem não sabem por onde começar.
    As vezes ficam presas a certos preconceitos, acreditam que seja um esporte de ricos ou ate de milionários, e não sabem que um veleirinho pequeno para uma ou duas pessoas, custa ate menos do que uma dessas bicicletas bacanas que andam por ai.
    Mas e ai, se um veleiro tem um preço acessível, como eu faço para aprender a ve2015-03-15 16.16.48lejar?
    É simples: procure um Iate clube na sua cidade que sempre tem instrutores de vela para lhe ensinar.
    No caso de morar em Natal, que é onde eu moro, você tem o rio Potengi para aprender, depois um mar lindo e ainda a lagoa do Bom Fim, todos com aguas mornas, vento constante o que é tudo que um velejador deseja para aproveitar o esporte, você deve procurar o Alexandre (084 9996 2519) que é o instrutor de vela do Iate Clube do Natal e combinar com ele um formato de curso que lhe sirva.
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Se tiver curiosidade, mas não tiver a certeza de que é  esse o esporte que você quer, sempre é possível conversar  com o instrutor e fazer uma espécie de teste drive, um pequeno passeio para experimentar, e ai sim com certeza se apaixonar pela vela.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Férias, bem vindo a bordo do seu sonho

 

O mes de Julho chegou e com ele as férias, quem ja não pensou em realizar om sonho de pegar a pessoa amada e sair por ai em um veleiro conhecendo lugares fantásticos, não vou me estender muito pois copiei o texto na integra colocado pelo velejador Nelson Mattos que diz exatamente o que eu iria escrever.

Ai listei uma turma de gente boa que faz charter por aí, e espera voce que tem esse sonho, para realiza-lo.

Começaremos pelo famoso casal Avoante, Nelson e Lúcia, com seu velamar 33, que realiza paseios incriveis pela Baia de Todos os Santos,Camamu e Morro de São Paulo.

 

SEJA BEM VINDO A BORDO DO SEU SONHO

                                                                                                                                                                                     Navegar em um veleiro é uma das grandes paixões do homem e sair por ai livre, leve e solto ao sabor dos ventos é um sonho que habita mentes e corações. Ancorar naquela ilha deserta, margear as praias mais selvagens, viver em contato extremo com a natureza, cruzar os mares do mundo sem pressa e sem destino, seguir as estrelas e se encantar com a magia que somente o mar é capaz de oferecer. Nada se compara a um cruzeiro a bordo de um veleiro, em que somos dono do nosso destino. Venha viver um pouco daquele sonho que há muito promete dar um novo rumo a sua vida. Venha conhecer como é a vida a bordo de um veleiro de oceano. Venha ver como a vida pode ser vivida de um jeito mais leve e extraordinário. Venha conhecer o mundo maravilhoso que existe além da sua imaginação. Venha navegar com a gente a bordo do Avoante, numa navegada sem a companhia dos males que faz você correr a troco de nada. Venha viver o seu sonho em roteiros maravilhosos e encantadores na Baía de Todos os Santos, Camamu ou Morro de São Paulo. Venha e se surpreenda vivendo o seu sonho!

 

  O casal Luiz e Mauriane a bordo do catamarã, Lagoon 380 Cascalho, esperam brasileiros para um charter no Caribe ou Bahamas.
Férias... vem prá bordo do Cascalho você também!!!

Depois de voltar das suas férias a bordo do Cascalho, diga aos seus amigos apenas que você viveu uma das melhores aventuras da sua vida. Deixe assim. Deixe no ar. Até porque, traduzir em palavras todas as sensações de prazer que você irá experimentar, será uma tarefa bastante árdua... ainda mais que, se as pessoas gostarem do seu relato, você corre o risco de perder a sua paz. Elas te farão falar mais e mais e você precisara urgentemente de outras férias!

A doce vida de quem mora no mar...

Acordar, de manhã bem cedo, quando os primeiros raios de sol começam a colorir a paisagem, já ouvindo a suave melodia da água do mar acariciando o casco do barco e, lentamente se dar conta do que o espera do lado de fora.

continue lendo

 

 

  O casal Renato e Sarah e seu cão, um   bull terrier chamado Feijão, a bordo do seu Lagoon 44 estão a disposição de quem quiser fazer um charter pelo Mediterrâneo.

Apesar do site estar todo em ingles eles são brasileirissimos e podem ser contactados em bom portugues pelo email em seu site.

 

 

 

Sail With Us

Guests are extremely welcome on our boat. We have four suites and we only use one of them. Even when we have an argument, Sarah makes me sleep on the flybridge so there is always three suites available to receive guests.

If you want to get to know more about this lifestyle, want to sail around or like water sports such as surf, dive, kite, fish, snorkel, spear fish, stand-up paddle, etc., this could be a really cool vacation.

If you are about to start your vacation check our next destinations page for the upcoming trips, if you would like to plan further ahead we have more information of our route with locations and dates in another page.

 

  Ja quem estiver interessado em fazer um charter por lugares mais exóticos como a Tailândia, pode entrar em contato com o Fausto e a Guta do Guruçá Cat.

“Somos um casal realizando o sonho de dar uma volta ao mundo velejando.
Suba a bordo, viaje conosco!”

 

 

 

 

É isso, o que não falta são opções de lugares bonitos e pessoas bacanas para se passar umas férias maravilhosas e trazer muitas fotos e lembranças inesquecíveis.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

De quem é a preferência quando há trânsito no mar

  De quem é a preferência no mar? 
Veja aqui algumas respostas para, depois, não ter de perguntar de quem foi a culpa.
   O mar pode parecer a faixa de rolamento dos sonhos até para o mais espaçoso dos motoristas, mas ali também existem leis que regulam o tráfego, embora algumas delas sejam pouco respeitadas na prática.
  Veja aqui como funciona, teoricamente, a preferência no mar.

Barcos a remo:
Minúsculos e lentos, têm capacidade mínima de manobra e quase sempre são difíceis de avistar. Fique atento.

Desviam de
· No canal: todos. Na prática, costumam ficar próximo às margens.
· No mar aberto: a princípio, um barco a remo não deveria estar em mar aberto.

Jets:
São leves, muito rápidos e ágeis, e são considerados barcos a motor como as lanchas. O problema é que como são fáceis de comandar, alguns pilotos exageram.

Desviam de
· No canal: teoricamente, de todos. Na prática, depende da consciência do piloto.
· No mar aberto: todos, mas são incomuns em mar aberto.

Lanchas:
Ágeis e rápidas, são os barcos com melhores condições de desviar de tudo. Por isso mesmo têm sempre a menor preferência.

Desviam de
· No canal: todos e ainda das lanchas ou jets que venham pela direita.
· No mar aberto: também desviam de todos e das lanchas que venham da direita.

Navios:
Grandes e pesados, são incapazes de realizar manobras rápidas e nem sempre conseguem enxergar um barco pequeno à frente. Mantenha distância!

Desviam de
· No canal: apenas de barcos encalhados ou sem governo.
· No mar aberto: teoricamente, de todos. Na prática, de ninguém.

Veleiros:
São ágeis, mas sua velocidade e manobrabilidade dependem do vento. Fique atento especialmente às áreas de regata.

Desviam de
· No canal: de navios e dos barcos a remo.
· No mar aberto: de navios ou de barcos de pesca.

É bom saber...
Os canais têm pistas imaginárias de mão dupla. Como acontece com os carros, o piloto deve ficar sempre no lado direito (boreste) da via.

Em caso de dúvida, desvie. É melhor pecar pelo excesso de cuidado do que colocar o barco em risco.

Barcos com preferência também são obrigados a desviar caso esta seja a única maneira de evitar uma colisão.

Entre duas lanchas, a que vem pela direita tem a preferência

Entre dois veleiros, a preferência fica com o que tiver as velas à esquerda


Materia da revista Náutica nº 196 




Aprender a Velejar! Uma questão de decisão.


          
Uma atitude depende apenas de você tomar uma decisão e fazer. Naturalmente que as novidades e mudanças afetam diretamente a tomada de decisão, entretanto novas atitudes tem que ser realizadas para  que mudanças venham a acontecer. Você faz parte deste processo e pode contribuir. 
 

Motivos    


Cinco motivos para você iniciar no iatismo e aprender a velejar. Tome esta atitude e conquiste novos mares e amigos.

1.      Velejar é popular em todo mundo, para onde você for viajar com certeza poderá também velejar. A extensão do litoral brasileiro é imensa, você poderá explorar lugares maravilhosos, entretanto necessariamente não precisa estar perto do mar para aprender a velejar. Temos rios, lagos, represas perto de você.
2.      Você não necessita de barcos caros ou equipamento complicado para velejar, mesmo que sejam velejadas oceânicas.
3.      Velejar pode ser acessível para qualquer pessoa. Informações existentes na internet podem facilitar a compreensão desta atividade tão prazerosa. Também é possível velejar virtualmente. Qualquer pessoa que tenha acesso a internet, onde pode explorar desde um simples passeio, a simulação de regatas e eventos competitivos.
4.      Aprender a velejar num dingue (barco de uma só vela) é a maneira mais rápida e mais efetiva para a maioria dos novatos na vela. É necessário ter o objetivo de ganhar habilidades básicas e instrução necessária de conhecimento e segurança no futuro.
5.      A preservação de nosso meio ambiente é essencial para o seu lazer. O contato com a natureza alegra o convívio e bem estar de sua família, que se traduz em qualidade de vida.
Espero estar colaborando com blog Conhecimento Náutico

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Como interpretar uma carta de pressão e ventos

      Sobre uma carta da região sul do Brasil estão desenhadas linhas que representam a união de pontos de mesma pressão atmosférica (isobáricas). 
    Ao longo de cada linha existe o valor da pressão dado em milibares. A pressão normal da atmosfera vale 1013 mb. 
    As flechas espalhadas pela carta indicam a direção e, pelo tamanho, dão uma idéia da intensidade do vento. 
    Zonas coloridas também ajudam a informar a intensidade dos ventos. A barra de cores existente abaixo da carta esclarece os valores da velocidade do vento que corresponde a cada cor. 
    Sobre as linhas verdes que limitam as zonas coloridas ainda existem números que indicam (em metros por segundo) a velocidade dos ventos. 
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    Um local de pressão mais baixa (núcleo de baixa pressão) recebe o nome de "ciclone". O nome, que significa vento em rotação, foi escolhido justamente porque a pressão mais baixa atrai o ar que está sendo expulso das zonas onde a pressão é maior. 
    A atmosfera do hemisfério sul da Terra, possui naturalmente o movimento de rotação da Terra que , girando para o leste, comunica uma rotação na atmosfera no sentido do movimento dos ponteiros dos relógios. 
    Quando os fluidos (líquidos e gases) se aglutinam, o movimento de rotação se acelera. 
    Como ocorre com a bailarina que, num rodopio, traz os braços e as pernas para junto do corpo e assim aumenta a sua velocidade de rotação, os ventos são acelerados pela migração ao núcleo de baixa pressão. A rotação no sentido horário se agrava. Na foto do satélite pode-se perceber um ciclone localizado sobre o oceano e a imensa quantidade de nuvens densas sugadas para o seu núcleo.
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    O mesmo acontece quando a água se esgota pelo buraco no centro de uma pia. A saída da água através do buraco causa uma diminuição da pressão naquele ponto que suga a água para o centro da pia. O movimento de rotação (devido à rotação da Terra) que de início era imperceptível, aparece intensificado sob a forma de um redemoinho. 
    Na carta de pressão e ventos que ilustra esta matéria pode-se perceber o ciclone de 996 mb localizado no mar a sudeste da costa do Rio Grande do Sul e a rotação horária que ele provoca. 
    Ao mesmo tempo pode-se observar um anticiclone (núcleo de alta pressão) de 1018 mb localizado a noroeste do Rio Grande do Sul, sobre o sul do Paraguai. 
    Um anticiclone expulsa o ar atmosférico para as zonas de baixa pressão diminuindo o movimento de rotação e portanto a intensidade dos ventos na região. 
    Um bom indicador sobre a intensidade dos ventos é dado pela proximidade entre as isobáricas (as linhas de mesma pressão). Quanto mais próximas (uma da outra), mais intensos são os ventos. 
    Essas cartas de pressão e ventos são muito úteis para os navegadores. Elas podem ser encontradas, sempre atualizadas, junto a outros "produtos meteorológicos" oferecidos pelo "Centro Integrado de Meteorologia e Recursos Hídricos de Santa Catarina" - CLIMERH, através do "site": http://www.climerh.rct-sc.br
Por Plínio Fasolo

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Dicas de ancoragem e atracação




Você comprou o barco, aprendeu a navegar, mas, e na hora de voltar pra marina ou parar para abastecer? Confira abaixo algumas dicas  sobre atracação.

1 No caso dos veleiros, o bê-á-bá para desacelerar o barco sem usar o motor é apontar a proa contra o vento e ir soltando as escotas, até as velas começarem a panejar. Mas atenção: se a proa ficar completamente de frente para o vento, o barco irá parar completamente e aí será impossível manobrar. Portanto, não exagere.
2 A correnteza será sempre mais forte em locais onde há grande variação de marés e nos períodos das luas nova e cheia. Verifique isso também.
3 Quando não conhecer a região, copie os outros barcos e só ancore onde já haja alguns parados. Você pode perder em privacidade, mas ganhará muito em segurança.
4 Para jogar a âncora, escolha um local onde o seu barco possa girar 360 graus sem tocar em nada — sejam pedras ou outros barcos. Assim, se o vento mudar, nada de ruim acontecerá.
5 Sempre diminua muito a velocidade ao se aproximar de um local de atracação. Além de suas marolas incomodarem os outros barcos, elas prejudicam sua própria manobra.
6 Quando estiver procurando um local para fundear, verifique a profundidade na carta náutica, use a sonda do barco para ter certeza dela e, por fim, consulte a tábua de marés, para não encalhar na maré baixa.
7 Se for ancorar em fundo de pedras, tente o seguinte truque para não ter problemas na hora de sair: antes de jogar o ferro na água, coloque um segundo cabo, com uma das extremidades numa bóia e a outra na cruz do ferro (que fica na extremidade oposta ao anete, onde se prende a amarra normal de qualquer âncora). Assim, se não conseguir içar a âncora pela haste, você poderá soltá-la puxando-a pela cruz.
8 Nos fundeios, fique bem atento ao tipo de solo. Fundos de lodo ou lama mole não seguram as âncoras. Já em fundos de pedra, quase sempre é preciso mergulhar para soltá-las depois. Assim, os melhores tipos de solo para ancorar são areia, cascalho ou lama firme, e nesta ordem.
9 Antes de jogar a âncora, tenha certeza de que a extremidade do seu cabo está mesmo presa ao barco! Parece óbvio, mas acontece. E como contece…
10 Para jogar a âncora pela proa, que é o correto, posicione o barco de frente para o vento e a correnteza (ou o que estiver mais forte) e só então lance o ferro na água.
11 Quanto maior o comprimento da amarra da âncora, mais eficiente será a ancoragem. Em condições normais, a regra para saber quanto cabo soltar é multiplicar por entre cinco e dez vezes a profundidade do local.
12 No Brasil, ainda são poucas as embarcações que têm caixa de contenção de esgoto. Portanto, evite nadar perto de barcos maiores ancorados. Do contrário, aquilo na água que parecer ser pode ser mesmo.
13 Se for pernoitar no local, mantenha pelo menos uma luz acesa a bordo, para sinalizar a sua localização para os outros barcos. À noite, nem sempre dá para ver um casco parado.
14 Se seu barco estiver na água há mais de dois meses, mergulhe para remover cracas e sujeiras do casco e do hélice. Sem elas, o arrasto fica bem menor e a velocidade pode aumentar em até 50%!
15 Se for guardar o seu barco na água (o que só é recomendado para veleiros com quilha e para lanchas acima de 40 pés), verifique o estado dos cabos
e ferragens da poita de amarração a cada seis meses
, no mínimo. Senão, um dia você vai chegar e nem seu barco nem a bóia estarão mais lá.
16 Se o seu barco for um veleiro, cuide muito bem das velas, porque elas custam caro e se desgastam rápido com os maus-tratos. Se tiverem sido molhadas com água do mar, lave-as com água doce e deixe secar bem, antes de guardá-las. E, por mais pesadas que sejam, não as arraste pelo chão.
17 Caso o tempo esteja ruim, não economize na amarra: solte o dobro do comprimento usado em condições normais de ancoragem.
18 Se a amarra for de náilon, use pelo menos três metros de corrente para uni-la à âncora. Isso aumentará a sua eficiência e evitará que seja cortada pelas pedras.
19 Depois de jogar o ferro, identifique os pontos de perigo mais próximos e planeje uma rota de saída, para o caso de precisar mudar de lugar.
20 Quando for deixar seu veleiro atracado, o correto é sempre enrolar as velas, para elas não panejarem, porque isso enfraquece o tecido e as talas.
21 Ao atracar, quanto mais defensas, melhor. Use pelo menos uma atrás da bochecha do casco, outra à meia-nau e uma terceira na popa. Mas, ao partir, não se esqueça de recolhê-las para dentro do barco, porque, na navegação, defensas criam arrasto, roubam velocidade e costumam se soltar com a força da água.
Por Regina Hatakeyama
Matéria originalmente publicada na Revista Náutica N°235

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Falcaças, "Ditty Bags", Marinharia

Encontrei esse post no blog CATAMARAN SAMEJ, do velejador Alex Brito, que achei muito interessante e quis compartilhar. Pois nos dias de hoje não se vê com muita frequência velejadores que saibam fazer esses trabalhos tão comuns para os homens do mar do passado.

Na vida moderna de velejar, aprender a costurar ficou fora de moda. A maioria dos novos comandantes não sentem a necessidade de aprender a costurar uma vela rasgada (basta comprar outra, basta acionar a velaria), aprender a fazer a falcaça num cabo. Para estes, basta saber o Lais de Guia e tá bom. São comandantes de 1 nó só. 

Boa parte só imagina ser necessário aprender tais coisas para aqueles cruzeiristas de grandes travessias e com pouca grana. Mas isso não é verdade! Pergunte se saber estas coisas não é importante para um bom navegador ou velejador, como Amyr Klink, Família Schurmann, Aleixo Belov, Geraldo Luiz Miranda de Barros, João G. Schimidt. Imagine se Éric Tabarly não sabia costurar, falcaçar! É como imaginar alguém gastar muito dinheiro num carrão e não saber trocar um pneu. - E quando acontecer? E aí meu irmão? Quem acode? Adaptando um frase que se diz no exército: - "O mar é lugar onde filho chora e mãe não houve"!


Repare que a pergunta não é "se" vai acontecer (algum imprevisto que vai exigir de você conhecimentos de marinharia), mas "quando". Por quê essa situação VAI acontecer com todos.  - Todos têm histórias para contar. 

 (Fonte: www.svsnowgoose.com)

Todos sabem que uma vez na água, muitos tipos de imprevistos podem acontecer, tanto pelo acaso, ou não. Podendo acontecer com qualquer um, porém vão tender a ocorrer mais em barcos usados (mais velhos), com velas com mais de 5 anos, em ventos mais fortes, com comandantes mais inexperientes ou imprudentes. 
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segunda-feira, 25 de maio de 2015

Manutenção de um motor Yanmar 3 GYM30


Este vídeo, apesar de ser em espanhol que acredito não será dificil de entender, é sobre a manutenção de um motor Yanmar 3 GYM30 em um veleiro.
Espero estar contribuindo para aumentar o conhecimento dos leitores do blog.


sábado, 23 de maio de 2015

Um pequeno grande veleiro, Pop 25


Um projeto do escritório Roberto Barros Yacht Design para construção amadora.




O Pop 25 é um veleiro de cruzeiro costeiro de linhas modernas e funcionais. Seu design mostra alguns novos conceitos, tais como casco com formato em delta, quilhas e lemes gêmeos, ausência de estai de popa e um plano de linhas com costado vertical e fundo plano no sentido transversal.
Projetado para construção amadora, ele se caracteriza por ser extremamente simples de ser construído e por ter um custo bem acessível, o que o torna um modelo interessante para velejadores de classe média que não tenham condições financeiras para comprar barcos novos em salões náuticos. Seu interior é surpreendentemente confortável para os padrões habituais de barcos desse porte, proporcionando um conforto invejável para uma pequena família habitá-lo por períodos prolongados.
Arranjo interno: Dotar um veleiro de 7.50m de um interior confortável o bastante para se passar temporadas prolongadas a bordo sem sentir-se mal acomodado não é uma tarefa fácil. As decisões conceituais devem ser tomadas ainda na fase de anteprojeto para que seja alcançado equilíbrio de funcionalidade em todos os compartimentos do barco.
 Qualquer veleiro deste porte necessita ter uma sala de  estar onde se possa fazer uma vida social ou saborear  uma refeição caprichada. Também necessita de beliches  confortáveis utilizáveis tanto em porto, quanto  navegando. É igualmente importante que tenha um  banheiro com privacidade e uma cozinha onde se possa  trabalhar com o barco adernado. A mesa de navegação  deve ser adequada para se monitorar instrumentos  eletrônicos ou utilizar uma carta náutica, ainda que  dobrada. É vital que todo o interior mantenha  equilíbrio entre os vários compartimentos sem que haja  sacrifício de uma função em benefício de outra.
Esses foram os parâmetros de design usados para decidir o arranjo interno do Pop 25




sexta-feira, 22 de maio de 2015

Ode a um Piloto Automático


         

                      Dia desses me deparo com uma interessante mensagem enviada para um grupo de emails que reúne velejadores de todo Brasil.  É sobre um piloto automático que estragou, e  seu dono, Fabio Prado, procura a indicação de alguém que o conserte. É curioso como pegamos amizade por alguns objetos inanimados. Segue a mensagem.



"Bom dia a todos,

Acho que é Alzheimer.

No começo, duro de admitir.
Está mais do que claro, mas me recuso a aceitar.

O velho Autohelm só pode estar acometido deste triste
e deprimente mal.

Tem hora que se lembra direitinho de suas funções,
Tem hora que simplesmente se nega a pensar.

Apesar dos aparentes sinais de vitalidade, percebo que
usando sua prerrogativa de velho senhor, age
com absoluta falta de lógica. Como se estivesse
gozando, parece estar num jogo.

Jogo de enlouquecer quem está junto, porque
simplesmente imprevisíveis são as suas ações.

Aí, acho que não tem mais jeito. Precisa descansar.

Mas não. Seria uma ingratidão.
Ingratidão desmedida.

Invadem o pensamento certas lembranças que
me impedem de lançar o amigo ao fosso das ariranhas.

E aquele sudestão empopado dia e noite
com ondas de 4 metros?
Quando o barco ficava na crista, quase na vertical,
começando a descer a onda, querendo atravessar,
ele adivinhava com precisão para qual lado
tinha que levar o timão...

Acertava sempre na mosca.

Trabalhou tanto, que ficou até rouco.
Verdade! Seu som mudou
naquela noite.
De barítono passou a baixo

Me perturba abandoná-lo, deixá-lo na sarjeta.

Sempre ouvi que a aposentadoria, a falta
de atividade é a porta de entrada para o reino
dos céus.

Do mesmo céu  onde esbraveja o Helio Setti,
seu antigo comandante, absolutamente contrário à
aposentadoria do companheiro.

Não. Não posso aceitar impunemente a idéia
e entregar os pontos.
Há que se ter esperança.
Afinal só visitamos um único médico.
Precisamos especialistas. Uma junta de especialistas.

Não se faz assim com um amigo desse calibre.

Vamos recorrer ao grupo.
E encaminhá-lo a quem possa tratar de sua saúde.

Hay que tener ternura.

A alguém que saiba onde posso levar meu
amigo a uma consulta, peço que se manifeste.

Bons ventos a todos!"
 

terça-feira, 19 de maio de 2015

Técnicas de fundeio


Já postei em outras oportunidades, sobre âncoras, hoje volto ao assunto fundeio com uma matéria que foi colocada em 2010 pelo Luís Cardoso no blog do veleiro Big Rider

   Saber fundear uma embarcação corretamente parece fácil, mas se não soubermos algumas técnicas de segurança, podemos viver momentos difíceis a bordo ou até mesmo perder nossa embarcação. Existem na literatura vários textos explicativos sobre o assunto. No entanto, vale a pena lembrar não é? Eu li este artigo em um site e duas das três técnicas descritas já foram usadas por mim em um fundeio na Ilha de Paquetá, RJ onde entrou um Noroeste daqueles. O veleiro na época era um Velamar 24 (Conto de Areia), ele apenas caturrava muito mas não saiu do lugar. Ainda, as marinas deveriam levar em conta estas tabelas abaixo na hora de fabricarem as poitas. Espero que leiam pois é importante.
Abrçs, Luís.
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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Barco à Vela


          

Aqui na terra, a vida é aglomeração; lá fora, sobre as águas, está a liberdade. Aqui, o mundo nos acompanha demasiadamente, lá fora estamos sozinhos. Uma milha longe e nos encontramos num mundo exclusivo para nós, e que mundo ! Um mundo de águas, vento e céus. 
               Um mundo de inesgotável e poética beleza. Um mundo lunático e caprichoso talvez, porém sempre nobre e cavalheiro; às vezes terrível, às vezes bondoso, triste a alguns, alegre a outros. Algumas vezes deprimente, ameaçador, louco e perigoso, porém sempre dando novamente a face,  jogando a partida com as cartas a descoberto. 
               Este mundo das águas não se pode encontrar à bordo de uma embarcação a motor.  O motor leva consigo parte da costa e da trepidante terra. Um barco a motor ronca como o estridente barulho de uma cidade, vibrando ao compasso de uma era mecanizada;  e o que é pior, se perde a emoção do jogo como quando se usa dados falsos. 
                Não.  
                O mundo das águas não se pode descobrir com um motor, mas sim com uma vela, pois aquele mundo de águas e céu, ventos e ondas não está somente ao nosso redor, senão que forma parte de nós mesmos. Se te combate também te estimula, és tu o motor, tanto como tua própria resistência, à salvaguarda ao mesmo tempo de teu inimigo. 
                Das coisas construídas pelo homem nem uma é tão atrativa como um barco á vela, é algo vivo com alma e sentimentos próprios, obediente como um cavalo de sela, leal como um cão. Cada barco à vela tem um caráter individual, nenhum construtor conseguiu fazer duas embarcações exatamente iguais, as medidas podem serem as mesmas, a diferença está no temperamento. 
               Os veleiros são ajuizados, demonstram uma profunda sagacidade tirada do vento e das ondas e transferem esta sagacidade a um timoneiro atento e cuidadoso. Sim, são ajuizados, porém se és mesquinho ou vil, covarde ou descuidado, soberbo ou cruel, podes estar seguro que tua embarcação o descobrirá. Quando em apuros na tempestade ou na adversidade, nenhum barco deixará de fazer o máximo esforço quanto lhe peça seu patrão. Talvez seja um esforço de pobres resultados, por ser um barco velho, podre e fazendo água como uma cachoeira. Porém sempre, até que suas desvantagens sejam demasiadas, entrará galhardamente na batalha. Ganhará se possível, senão morrerá lutando. 
         
     Manejar esta gloriosa criação humana, ser seu dono e seu amigo, internar-se com ela no lindo e caprichoso reino do mar é a mais nobre e compensadora das artes. Porque dá mais do que se pode adquirir com dinheiro:  humildade e confiança em si mesmo, valentia e bondade, força e delicadeza . Este é o presente ao navegante. O canhonaço que anuncia sua vitória quando cruza em primeiro lugar a linha de chegada de uma empenhada regata, soa como música divina. O doce calor de seu interior, a uma milha a dentro do mar frio e cinzento é o mais confortável dos lugares.  
               Mar afora, quando estamos em nosso ambiente, sozinhos com nosso barco e com as estrelas, as preocupações da vida e da costa se reduzem rapidamente às proporções verdadeiras. 
               O desporte do navegante nunca termina, tanto desfrutam os velhos como os jovens tanto é agradável no inverno como no verão, pois o frio ou o calor não opõe barreira alguma aos seus planos. Nunca se acaba de  aprender, aos que viverem mil anos não poderiam conhecê-lo  todo. 
               A Arte da navegação à vela é tão antiga como a humanidade e tão nova como os caminhos da Lua.

 H. A. Calahann  -   1930

                                                                    

quinta-feira, 14 de maio de 2015

O Maitairoa ainda vive

A EMOCIONANTE HISTÓRIA DO VELEIRO QUE SE TORNOU UM MARCO NA HISTÓRIA DA CONSTRUÇÃO AMADORA NO BRASIL

Roberto Barros
Foi revelado no final de 2013 o discurso que a rainha da Inglaterra tinha pronto para ser lido sobre a terceira guerra mundial. Esse discurso havia sido escrito há exatamente trinta anos — tempo que documentos estratégicos perdem o status de segredo de estado no Reino Unido. Naquele momento, a guerra fria atingia seu clímax, e o planeta estava ao alcance de um apertar de botão para ser inexoravelmente destruído pela estupidez humana. Isso é história, mas felizmente surgiu uma luz no fim do túnel e a catástrofe não se materializou.
Era inevitável que esse clima tão sombrio pairando sobre os espíritos da população mundial tivesse uma influência no comportamento das pessoas daquele tempo. Como reflexo dessa insegurança, alguns construíram abrigos nucleares para usufruir um pouco mais a vida depois de o pior ter acontecido, esperando poder levar seus entes queridos e o que mais prezavam para esses abrigos. Outros preferiram torrar seu patrimônio e aproveitar a vida enquanto era tempo.
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Essa foto foi tirada a umas duas mil milhas a leste da Patagônia, mais ou menos na latitude de Mar Del Plata, durante uma calmaria. Colocamos o caíque na água e nosso tripulante Roberto Allan Fuchs afastou-se do barco para tirar a fotografia. Sou eu quem está no leme e Eileen está a meu lado.
Minha própria história, no entanto, teve um foco diferente. Construí um veleiro oceânico capaz velejar meses seguidos sem precisar ser abastecido, de forma que minha família e eu pudéssemos desfrutar de algumas semanas a mais fazendo o que mais gostávamos: velejar na imensidão do oceano. Morávamos no Rio de Janeiro, um lugar que, por estar fora do centro da disputa política, provavelmente teria alguns dias a mais de sobrevivência. Mantinha o barco permanentemente abastecido para seis meses em alto mar e meu plano era navegar rumo ao Oceano Austral, mantendo contato com o que tivesse sobrado do mundo exterior, se ainda chegasse algum sinal, por meio de um receptor de ondas curtas e do rádio SSB de bordo.
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sábado, 9 de maio de 2015

Testando uma âncora Spade

Na postagem anterior, falei dos modelos mais usados de âncoras, o Bruce e o Danforth. Nessa gostaria de mostrar esse vídeo com um teste deste modelo Spade, segundo o amigo João Haas uma evolução do modelo arado. Apesar do teste ser realizado em terra, que não é o ambiente natural de uma âncora, acredito que sirva para ver como ela funciona e sua resistência.


quinta-feira, 7 de maio de 2015

Danforth ou Bruce?

Qual, afinal, é a melhor âncora? A resposta é: depende...
As âncoras do tipo danforth e, principalmente, bruce, são as mais usadas pelos donos de barcos no Brasil.
Mas elas são bem diferentes entre si, tanto no formato quanto no desempenho.
   As danforth  se caracterizam por terem duas patas paralelas e pontiagudas, que, não importa o lado que caiam na água, conseguem unhar o fundo, porque a haste se move e sempre permite o contato com o solo. Mas, por possuírem haste e cepo longos, ocupam mais espaço no paiol e exigem cuidado no manuseio, já que a haste se move e pode machucar as mãos.
Já as âncoras bruce têm três patas e haste fixa e curta, o que as tornam mais compactas e seguras. Também em fundo de pedras são mais resistentes e unham rapidamente na lama, o que nem sempre acontece com as
danforth, que, no entanto, são imbatíveis em fundos de areia. Também na relação peso X eficiência, as danforth, especialmente as de alumínio, dão um banho nas bruce. Mas sua desvantagem é o preço, bem mais alto, especialmente as importadas, como a da marca americana Fortress, considerada uma das melhores do mundo e razoavelmente vendida no Brasil.
O índice de resistência de uma danforth da marca Fortress (ou seja, a força que ela aguenta para cada quilo que pesa), chega a ser sete vezes superior ao das melhores bruces nacionais — que, no entanto, costumam ser as mais vendidas por aqui, justamente porque custam menos do que as danforth.
Qual é a melhor? Bem, como se vê, depende do tamanho do compartimento da âncora no barco e do tipo de fundo que há no local onde ela for ser usada com mais frequência. Mas, uma coisa é certa:
economizar na âncora é colocar em risco a sua própria segurança.

Revista Náutica Sul  Edição: 52

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Treino de snipe

Esse video é so pra dar uma idéia de  como trabalham o proeiro e o timoneiro em uma velejada de Snipe

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Conheça a história do naufrágio do transatlântico Wilheim Guslöff, na Segunda Guerra Mundial

 

Há 65 anos acontecia o maior naufrágio do mundo. Mas, até hoje, pouca gente ouviu falar dele

Na noite de 30 de janeiro de 1945, o transatlântico Wilhelm Gustlöff deslizava pelas águas geladas do mar Báltico rumo a oeste. Sua missão: evacuar milhares de alemães que fugiam das tropas soviéticas durante a Segunda Guerra. Os capitães Friederich Petersen e Wilhelm Zahn iniciaram o percurso enfrentando névoa, blocos de gelo e ondas altas, mas perto das 21h eles abriram uma garrafa de conhaque para fazer um brinde: o pior já havia passado. O festejo durou pouco. Logo depois, o navio seria protagonista do maior desastre naval de todos os tempos. O número de vítimas ainda gera debate, mas vários pesquisadores estimam em cerca de 9 mil - o equivalente a seis Titanics. Ao contrário do navio britânico, porém, a tragédia do Gustlöff ainda é quase desconhecida.


De passeios a resgates

O navio de cruzeiro mais avançado do mundo. Assim os alemães receberam o Wilhelm Gustlöff na sua festa de inauguração, em 1937. Hitler queria surpreender o mundo com o colosso de 208,5 metros e 25 mil toneladas, que tinha capacidade para 1880 pessoas - entre passageiros e tripulantes. Uma bela propaganda para o poderio do Terceiro Reich.
Mas com o início da Segunda Guerra, em setembro de 1939, a Alemanha o transformou em navio-hospital.
Assim, uma faixa verde foi pintada ao longo do casco e cruzes vermelhas substituíram os emblemas da KdF. Nos meses seguintes, a embarcação gigantesca socorreu soldados feridos nas invasões alemãs à Polônia, Noruega e Dinamarca.



Em janeiro de 1945, até o alemão mais otimista sabia que a guerra estava perdida. A contra-ofensiva do Exército Vermelho espalhava pânico na Prússia Oriental. Legiões de refugiados, oficiais e soldados alemães feridos lotaram os portos de Danzig e Gotenhafen, tentando fugir para o oeste.
O almirante alemão Karl Dönitz decidiu que era hora de agir: enviou à sua frota o código "Hannibal" - que significava evacuar a maior quantidade possível de militares e civis. O Gustlöff foi preparado para a operação, mesmo após ter ficado imóvel por quatro anos. Os capitães Friederich Petersen e Wilhelm Zahn assumiram o desafio e, em 28 de janeiro de 1945, receberam a ordem de partir em 48 horas. A essa altura, o porto de Gotenhafen era puro caos. Homens, mulheres e crianças disputavam um lugar no navio, mas só podia entrar quem tinha um passe especial. Isso significava ter muito dinheiro, influência ou algum conhecido entre os tripulantes. Soldados feridos tinham prioridade.
O empurra-empurra no porto era tão grande que algumas crianças caíram na fresta entre o deck e o casco e desapareceram na água. "Pelas listas oficiais, 3 mil refugiados se instalaram no navio na manhã de 30 de janeiro. Contudo, a partir de então, a tripulação perdeu a conta dos que chegavam", afirma Krawczyk. "Portanto, nunca saberemos o número exato de pessoas que zarparam." Estima-se que mais de 10 mil pessoas se amontoaram no navio, inclusive dentro da piscina vazia. Quase a metade era de crianças e adolescentes.
O Gustlöff zarpou ao redor das 12h30 com destino à baía de Kiel, no oeste do Báltico. Apesar do frio externo, o calor era intenso dentro do navio. Muitos tiraram os coletes salva-vidas, e não demorou para que enjoassem e vomitassem com os solavancos provocados por ondas de vários metros de altura. A tensão também era grande na cabine de comando, já que apenas um barco torpedeiro escoltava o navio. Os capitães sabiam que a região era cheia de minas e monitorada pelos ingleses. No início da noite, eles perceberam que um comboio de caça-minas alemães se aproximava na direção oposta. Apesar dos protestos do colega, Petersen decidiu acender as luzes de navegação para evitar uma colisão no meio da névoa. Seria um erro fatal.
A poucos quilômetros dali, escondido nas profundezas do Báltico, o submarino soviético S-13 patrulhava a costa de Danzig. Seu capitão, Alexander Marinesko, estava sendo investigado pelos superiores por causa de alguns deslizes - era beberrão - e precisava de uma glória para limpar sua ficha.
Pouco antes das 20h, o S-13 detectou luzes entre a névoa densa. Marinesko agarrou o periscópio e visualizou a silhueta do colosso alemão. Nas duas horas seguintes, ele o perseguiu com cuidado, sorrateiro, preparando-se para dar o bote. O mais mortífero de sua carreira.Logo após as 20h, os auto-falantes do Gustlöff interromperam a música ambiente para transmitir um discurso de Hitler ao vivo no rádio, comemorando os 12 anos de ascensão do nazismo. Os passageiros não tinham motivo para celebrar, claro. Mas pelo menos a ameaça soviética parecia ter ficado para trás.
O ataque
Enquanto isso, Marinesko e sua equipe preparavam quatro torpedos, pintando cada um com uma mensagem. Torpedo 1: "Para a pátria". Torpedo 2: "Para Stalin". Torpedo 3: "Para o povo soviético". E torpedo 4: "Para Leningrado". Perto das 21h, o capitão ordenou: "Fogo!" O torpedo dedicado a Stalin perdeu o rumo, mas os outros três acertaram o alvo em cheio. Os passageiros situados nos locais de impacto perderam a vida na hora. Os outros correram em pânico para a zona dos botes. Muitos foram pisoteados, outros se jogaram no mar e morreram congelados, apesar do resgate feito por barcos da frota alemã.
"O navio afundou a só 12 milhas da costa (cerca de 22 km), mas o pânico e a temperatura da água (15 graus negativos) causaram uma enorme perda entre os que tinham escapado do naufrágio", diz o analista naval americano Norman Polmar. "O cruzador alemão Almirante Hipper estava próximo, mas não prestou socorro por medo dos submarinos."
Hoje, diversos pesquisadores estimam que 1230 pessoas sobreviveram ao naufrágio. O número de mortos é menos preciso, pois não se sabe ao certo quantos passageiros havia no Gustlöff. As cifras giram em torno de 9 mil pessoas, ou seis vezes o número de vítimas do Titanic. E mesmo assim você provavelmente nunca ouviu falar dessa tragédia. Afinal, por que ela é tão pouco conhecida? Primeiro, porque ocorreu durante uma guerra - e, para muitos, desastres assim são menos trágicos que os ocorridos em tempos de paz. Os aliados não deram muita bola para o desastre sofrido pelo inimigo. Para os soviéticos, aliás, os torpedos do S-13 eram uma retribuição à ocupação alemã. E o próprio Hitler não quis admitir que seu gigante dos mares havia tido esse destino. Além disso, durante décadas muitos alemães se sentiram culpados pelas atrocidades que seu país cometeu antes e durante o conflito, e esse sentimento pode ter ofuscado a tragédia naval. "Ao contrário do Titanic, o Gustlöff não viajava rumo aos Estados Unidos e não havia americanos a bordo. Assim, essa história não teve apelo para Hollywood", diz David Krawczyk. Também pudera: Wilhelm Gustlöff era líder do Partido Nazista na Suíça (leia abaixo). Se o navio tivesse outro nome, talvez ganhasse mais simpatia. E pensar que o plano original era batizá-lo de Adolf Hitler...

Eduardo Szklarz | 20/06/2012

Onze barcos já estão pré-inscritos na Refeno 2015

A inscrição para a 27ª edição da Refeno começou na última quinta-feira (16) e em menos de 48 horas onze barcos já garantiram sua pré-inscrição na maior regata oceânica do Brasil e uma das  mais importantes da América Latina.

Veleiros de quatro categorias diferentes já confirmaram interesse em participar da Refeno, que terá sua largada no dia 26 de setembro, do Marco Zero do Recife e e chegada em frente ao Mirante do Boldró, no Arquipélago de Fernando de Noronha. Do total de inscritos, cinco são de Pernambuco, dois da Bahia e um de Santa Catarina, Rio de Janeiro, Alagoas e São Paulo.

Na classe Mocra, três barcos estão inscritos: Aventureiro 3, (do comandante Hans Hutzler); Ciranda (Sergio Avellar) e Vo Rai (Roque Luiz Silva Araújo). Na RGS, Avatar (Paulo de Almeida Filho), Andante (Fernando Mendes), Bolero II (Roberto Alcoforado) e Ecos (José Pinto de Luna) também estão pré-inscritos.

Na Aberta, Recreio (Fernando Junqueira), Toro (Cleidson Nunes) e Intuição (Sérgio Chagas), também  se pré-inscreveram. A classe Aço também teve barcos inscritos. Foi o veleiro Pangeia, comandado por Roberto Fabiano.

As inscrições irão até o dia 24 de Setembro, ou até as 100 vagas serem preenchidas.  O Aviso de Regata, com todas as informações para os participantes, já está disponível no site da Refeno clicando aqui.

Criada há 27 anos, a Refeno é considerada a primeira regata oceânica do Brasil. Em 2014, a embarcação gaúcha Camiranga ganhou o troféu Fita Azul.

PRIMEIRO INSCRITOS

Além destes, um barco já está inscrito e confirmado na Refeno 2015. É o catamarã Voyager Atlatis Divers, do comandante Emilio Russell (PE).

Foto: Antônio Henrique/ Cabanga

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Também, depois de praticamente atropelar uma ilha!

 

Time que encalhou barco na Volvo Ocean Race dispensa navegador

O Team Vestas Wind, barco da Dinamarca na Volvo Ocean Race, anunciou que o holandês Wouter Verbraak não faz mais parte da equipe. No comunicado, enviado nesta sexta-feira (23), os dirigentes da equipe, patrocinadores e o comandante Chris Nicholson analisaram o que ocorreu na segunda etapa da regata e decidiram não continuar com o navegador.O barco precisa ser reconstruído após encalhar em uma ilha do Oceano Índico no final do ano passado. O incidente prejudicou o time, que foi obrigado a perder quase todas as pernas.

Os dinamarqueses confirmaram também que pretendem voltar à disputa da Volta ao Mundo a partir da etapa de Lisboa, em junho de 2015. “O Team Vestas Wind deseja sorte e agradece aos serviços prestados por Wouter Verbraak'', disse Chris Nicholson, comandante do Team Vestas Wind.

O velejador Wourter Verbraak também se manisfestou: “Estou muito triste por deixar o Team Vestas Wind, mas respeito a decisão de Chris Nicholson. Eu gostaria de poder ajudar na reconstrução do barco. Agora sigo minha carreira e em breve posso anunciar meu rumo''.

No mesmo comunicado, os diretores do Team Vestas Wind confirmaram que o resto da tripulação continua e terá papel decisivo na reconstrução do barco no estaleiro Persico, na Itália.

O barco encalhado foi removido do arquipélago de São Brandon, na Ilhas Maurício, antes do Natal. Um cargueiro Maersk leva a embarcação para Gênova, na Itália. Mais tarde o veleiro vai para Bergamo, onde fica o estaleiro.

Seis barcos seguem na disputa da Volvo Ocean Race 2014-15. As equipes participam da terceira etapa, entre os Emirados Árabes Unidos e a China. A regata está em sua reta final e tem o chinês Dongfeng Race Team na ponta.

Postado pelo Antonio Alonso no Blog Sobre as Águas

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

BICAMPEÃO

 

TIAGO QUEVEDO, DO RIO GRANDE DO SUL, É BICAMPEÃO BRASILEIRO DE OPTIMIST

Assim se faz a vela, com incentivo aos novos velejadores!

Infelizmente em Natal nosso velejador mais novo ja deve andar bem acima dos 30 anos. Se não for feito um trabalho de renovação, que espero o nosso Iate Clube venha a fazer, nossa vela não tem muito futuro.

Parabéns Tiago Quevedo e parabéns ao Veleiros do Sul!

tiago_vitoria

Tiago Quevedo venceu o Campeonato Brasileiro da classe Optimist, no Rio de Janeiro e tornou-se o primeiro gaúcho a conquistar o título em dois anos seguidos. A competição terminou neste domingo após a disputa de 12 regatas na Baía da Guanabara. Em segundo lugar ficou Tiago Monteiro (SP), em terceiro Gabriel Lopes (RS). Tiago confirmou sua posição de melhor velejador na classe Optimist no país ao liderar o campeonato do início ao fim e repetir o bom desempenho de 2014 em Pernambuco. Ele abriu uma considerável diferença de 32 pontos sob o segundo colocado e na primeira fase manteve uma média de 1º e 2º nas regatas. Teve apenas dois resultados que destoaram dos demais na classificação, mas para manter sua hegemonia fechou com vitória na prova final.

“Como já era esperado, a divisão da flotilha em ouro e prata deixou o nível técnico ainda mais forte, com uma disputa bem mais puxada entre os primeiros colocados.  Procurei fazer o meu melhor e deu tudo certo”, disse Tiago, 14 anos.

O bicampeonato não chegou ser uma surpresa para ele, pois sua expectativa era mesmo de vencer novamente o Brasileiro de Optimist. “Sentia que me encontrava num bom momento e conhecia meus adversários. Me preparei muito, fiz clínicas no Rio antes do evento. Meu foco era vencer, sabia das dificuldades e como teria que superá-las. Agradeço muito aos meus técnicos, a minha família e amigos que me incentivam muito e ao meu clube que me tem dado um grande apoio”, finalizou Tiago que não poderá correr o Brasileiro de 2016 porque vai estourar a idade limite da classe que é de 15 anos. Sua principal meta agora é integrar novamente na equipe brasileira para o Mundial de 2015 na Polônia.

Esta é a primeira vez que um velejador gaúcho vence dois campeonatos brasileiros consecutivos na Optimist.  O último bicampeão foi Frederico Rizzo, mas intercalado (1994 e 1996). Desde o ano passado Tiago tem liderado o ranking nacional de Optimist e colocou o Brasil em evidência no Campeonato Mundial de 2014 ao terminar em quinto lugar na competição realizada na Argentina.

A flotilha gaúcha também se destacou no Rio de Janeiro ao vencer o Brasileiro por Equipes de 2015 com o time RS1 composto pelos velejadores Tiago Quevedo e Gabriel Lopes, do Veleiros do Sul, e por João Emílio Vasconcelos e Guilherme Plentz do Clube dos Jangadeiros.

 

Rosângela Oliveira para Revista Náutica

Foto: Fred Hoffmann/Divulgação

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Freud no mar

 

Minha atual leitura é o livro “Diário de Bordo” do velejador André Magalhães Homem de Mello, o primeiro velejador brasileiro a dar a volta ao mundo em solitário, sem escalas, pelo Oceano Austral, que estou achando ótimo e recomendo, e de onde extrai esse trecho que gostei muito.

O que buscam os praticantes da vela?

Fugir da rotina, fazer as pazes com a natureza, conhecer pessoas diferentes, ver novas paisagens, restabelecer o equilíbrio emocional e principalmente, correr riscos. Em suma Adrenalina.

Sair para o mar é o sonho de muitos executivos que passam seus dias estrangulados por gravatas, perdidos entre pilhas de papéis e atulhados de e-mails. De certa forma, o esporte representa para esses profissionais a  oportunidade de readquirir a autoestima e descobrir a importância do trabalho solidário.

Muitas vezes, a aspiração de um velejador é velejar solitário, passar um período de solidão e privacidade, um retiro espiritual. Busca-se o silencio, a reflexão, o autoconhecimento, a independência e a dedicação a uma atividade que não tenha como objetivo final o lucro financeiro.

A curiosidade talvez seja outra característica compartilhada pela maioria dos navegadores solitários. Além de explorarem o mundo físico, enveredam pelos mistérios da alma humana. Buscam estados desconhecidos do cidadão comum, cercado de limites e obrigações.

Os solitários do mar também tratam de superar expectativas, de contrariar previsões, de conquistar algo que os outros julgavam impossível. Estar sozinho no mare vencer desafios permite ao homem mudar conceitos e rever a opinião que tem de si mesmo. A navegação solitária pode revelar talentos e capacidades dos quais muitos não se consideravam detentores.

Não por acaso, Sigmund Freud, cunhou o termo “sentimento oceânico” para designar a entrega ao todo sem fronteiras, o abandonar-se no infinito de imperturbabilidade.

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Reflexões do Rubão

Dando uma olhada no blog do veleiro Doris, dos amigos Rubens e Rita, encontrei esse pensamento do Rubão que gostei muito. Resolvi reproduzi-lo para as pessoas que não acompanham o blog deles, ate para que possam faze-lo, pois os detalhes da viagem são muito bacanas e sempre nos ajudam de alguma forma com informações e/ou incentivo a que venhamos tambem realiza-las.

Este ano e pouco de viagem foi com certeza o mais longo de minha vida, não é fácil explicar, mas é quase como se fosse uma outra vida, uma coisa tão intensa e variada que me leva a concluir que a equação para medir o tempo de vida de uma pessoa falha totalmente quando se atém apenas aos anos vividos e não leva em consideração a intensidade e a variedade das experiências vividas. Penso que ninguém precisa comprar um barco e sair viajando para mudar a vida e viver novas experiências, devem existir mil e uma maneiras de se fazer isto e milhões de histórias sobre as mais variadas experiências neste campo, mas creio que todas elas tem os mesmos ingredientes fundamentais: vontade (ou necessidade) de mudar, planejamento, perseverança, disciplina e enfim, coragem.

Rubão