Viajar de veleiro



A maravilha de se viajar de veleiro é que basta que se decida ir para algum lugar, tudo que se tem que fazer é levantar a âncora,içar velas e ir embora.Essa sensação de liberdade é fabulosa,é quase como ter asas e voar livremente,basta bate-las.

Helio Setti Jr.

Tem que ir, ver e sentir!


"...Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu, para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor, e o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o seu próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver..."


Amir Klink


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Freud no mar

 

Minha atual leitura é o livro “Diário de Bordo” do velejador André Magalhães Homem de Mello, o primeiro velejador brasileiro a dar a volta ao mundo em solitário, sem escalas, pelo Oceano Austral, que estou achando ótimo e recomendo, e de onde extrai esse trecho que gostei muito.

O que buscam os praticantes da vela?

Fugir da rotina, fazer as pazes com a natureza, conhecer pessoas diferentes, ver novas paisagens, restabelecer o equilíbrio emocional e principalmente, correr riscos. Em suma Adrenalina.

Sair para o mar é o sonho de muitos executivos que passam seus dias estrangulados por gravatas, perdidos entre pilhas de papéis e atulhados de e-mails. De certa forma, o esporte representa para esses profissionais a  oportunidade de readquirir a autoestima e descobrir a importância do trabalho solidário.

Muitas vezes, a aspiração de um velejador é velejar solitário, passar um período de solidão e privacidade, um retiro espiritual. Busca-se o silencio, a reflexão, o autoconhecimento, a independência e a dedicação a uma atividade que não tenha como objetivo final o lucro financeiro.

A curiosidade talvez seja outra característica compartilhada pela maioria dos navegadores solitários. Além de explorarem o mundo físico, enveredam pelos mistérios da alma humana. Buscam estados desconhecidos do cidadão comum, cercado de limites e obrigações.

Os solitários do mar também tratam de superar expectativas, de contrariar previsões, de conquistar algo que os outros julgavam impossível. Estar sozinho no mare vencer desafios permite ao homem mudar conceitos e rever a opinião que tem de si mesmo. A navegação solitária pode revelar talentos e capacidades dos quais muitos não se consideravam detentores.

Não por acaso, Sigmund Freud, cunhou o termo “sentimento oceânico” para designar a entrega ao todo sem fronteiras, o abandonar-se no infinito de imperturbabilidade.

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