Viajar de veleiro



A maravilha de se viajar de veleiro é que basta que se decida ir para algum lugar, tudo que se tem que fazer é levantar a âncora,içar velas e ir embora.Essa sensação de liberdade é fabulosa,é quase como ter asas e voar livremente,basta bate-las.

Helio Setti Jr.

Tem que ir, ver e sentir!


"...Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu, para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor, e o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o seu próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver..."


Amir Klink


sábado, 11 de fevereiro de 2012

Governando sem leme

Achei no Popa este post muito interessante escrito pelo Carlos Altmayer Gonçalves (Manotaço) e resolvi compartilha-lo com os leitores do meu blog, espero que gostem, pois um dia pode ser util.


Cedo ou tarde o navegante irá se deparar com esta situação, ou com a necessidade de rebocar uma embarcação sem governo, a receita é a mesma.
No ano de 1979, corremos a regata Buenos Aires - Rio de Janeiro no "Carina". Após a regata, passamos uma semana em Angra dos Reis e, zarpamos para Ganchos -SC. Tripulação: Paulo Heck, José Paulo Ilha, Ângela Bohrer, Jorge Hillmann e C.A.G. Zarpamos de Parati, passamos a Ponta de Juatinga e aproamos para Ganchos, com forte vento Leste, a tradicional "Lestada suja", com chuva. Na madrugada do dia seguinte, já na altura de São Francisco do Sul, perdemos leme e skeg. Simplesmente desprenderam-se do casco. Durante este dia velejamos com storm-jib e try-sail, usando um pau de spi como remo de popa. Conseguimos chegar perto da costa ao entardecer, quando lançamos âncora de mar.

No dia seguinte, calmaria, não conseguimos governar o barco. Felizmente, uma traineira passou por perto e, vendo nossos sinais, aproximou-se. Sugeriu rebocar-nos para Piçarras. Passaram-nos um pneu de caminhão para colocar a reboque, com o fim de firmar o barco no reboque. Foi amarrado com um cabo em pé de galinha, uma ponta em cada cunho de popa, segundo instrução dos pescadores. Disseram que até poderíamos governar o barco desta maneira, o que comprovamos assim que iniciou o reboque. Assim que chegamos a Piçarras, tratamos de conseguir um barco que nos levasse a Itajaí.

Os pescadores que fizeram este segundo reboque, procederam da mesma forma que os primeiros, não só quanto ao pneu, como também não aceitaram retribuição alguma pelo trabalho e despesas. Era carnaval, desatracaram o barco em Itajaí, com toda a tripulação e namoradas, fomos a Piçarras, que fica a cerca de uma hora de navegação, retornamos com o Carina a reboque e atracamos a contrabordo do "Anhembi", do mestre "Doda", que junto com o "Anhanguera", do mestre Zico, pescavam em "parelha". O reboque foi feito pelo primeiro. Durante os dias que estivemos atracados em Itajaí, fazendo o leme de fortuna que nos levaria a Porto Alegre, fomos "adotados" por estes pescadores e suas famílias. Foi uma lição de vida, este contato que tivemos com estes companheiros do mar, a quem causava espanto o fato de que nós fazíamos isto por prazer, velejar pelo oceano.

Esta história foi narrada na revista "Vela e Motor", creio que de setembro de 1979. num artigo de Carmem Ballot.
Jamais esquecemos a lição prática do "arrasto" na popa. Anos mais tarde, perdemos o leme do "Garça", num dia de Minuano, na altura da Ponta Grossa. Retornamos ao Veleiros do Sul a reboque do "Ewaldo Ritter", com os colchonetes amarrados à popa do "Garça".

Poucos dias atrás, "garimpando" na Yachting Brasileiro, encontrei esta ilustração:
É tão bem feita que dispensa comentários. Não é raro vermos colegas passando por apuros em reboque, por desconhecerem tão simples solução.

 

Carlos Altmayer Gonçalves-Manotaço