Viajar de veleiro



A maravilha de se viajar de veleiro é que basta que se decida ir para algum lugar, tudo que se tem que fazer é levantar a âncora,içar velas e ir embora.Essa sensação de liberdade é fabulosa,é quase como ter asas e voar livremente,basta bate-las.

Helio Setti Jr.

Tem que ir, ver e sentir!


"...Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu, para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor, e o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o seu próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver..."


Amir Klink


sexta-feira, 22 de maio de 2015

Ode a um Piloto Automático


         

                      Dia desses me deparo com uma interessante mensagem enviada para um grupo de emails que reúne velejadores de todo Brasil.  É sobre um piloto automático que estragou, e  seu dono, Fabio Prado, procura a indicação de alguém que o conserte. É curioso como pegamos amizade por alguns objetos inanimados. Segue a mensagem.



"Bom dia a todos,

Acho que é Alzheimer.

No começo, duro de admitir.
Está mais do que claro, mas me recuso a aceitar.

O velho Autohelm só pode estar acometido deste triste
e deprimente mal.

Tem hora que se lembra direitinho de suas funções,
Tem hora que simplesmente se nega a pensar.

Apesar dos aparentes sinais de vitalidade, percebo que
usando sua prerrogativa de velho senhor, age
com absoluta falta de lógica. Como se estivesse
gozando, parece estar num jogo.

Jogo de enlouquecer quem está junto, porque
simplesmente imprevisíveis são as suas ações.

Aí, acho que não tem mais jeito. Precisa descansar.

Mas não. Seria uma ingratidão.
Ingratidão desmedida.

Invadem o pensamento certas lembranças que
me impedem de lançar o amigo ao fosso das ariranhas.

E aquele sudestão empopado dia e noite
com ondas de 4 metros?
Quando o barco ficava na crista, quase na vertical,
começando a descer a onda, querendo atravessar,
ele adivinhava com precisão para qual lado
tinha que levar o timão...

Acertava sempre na mosca.

Trabalhou tanto, que ficou até rouco.
Verdade! Seu som mudou
naquela noite.
De barítono passou a baixo

Me perturba abandoná-lo, deixá-lo na sarjeta.

Sempre ouvi que a aposentadoria, a falta
de atividade é a porta de entrada para o reino
dos céus.

Do mesmo céu  onde esbraveja o Helio Setti,
seu antigo comandante, absolutamente contrário à
aposentadoria do companheiro.

Não. Não posso aceitar impunemente a idéia
e entregar os pontos.
Há que se ter esperança.
Afinal só visitamos um único médico.
Precisamos especialistas. Uma junta de especialistas.

Não se faz assim com um amigo desse calibre.

Vamos recorrer ao grupo.
E encaminhá-lo a quem possa tratar de sua saúde.

Hay que tener ternura.

A alguém que saiba onde posso levar meu
amigo a uma consulta, peço que se manifeste.

Bons ventos a todos!"