Viajar de veleiro



A maravilha de se viajar de veleiro é que basta que se decida ir para algum lugar, tudo que se tem que fazer é levantar a âncora,içar velas e ir embora.Essa sensação de liberdade é fabulosa,é quase como ter asas e voar livremente,basta bate-las.

Helio Setti Jr.

Tem que ir, ver e sentir!


"...Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu, para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor, e o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o seu próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver..."


Amir Klink


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

De São Paulo à Florianópolis a bordo de uma jangada

foto: divulgação
O corajoso aventureiro Vicente Stanislaw Klonowski

Visando realizar um intercâmbio de embarcações tradicionais brasileiras, Vicente Stanislaw Klonowski levou sozinho uma jangada para o sul do país em alto mar





O ponto de partida foi a barra de Icapara, localizada entre os municípios de Iguape e Ilha Comprida, no litoral de São Paulo. A chegada foi um pouco mais abaixo no mapa, na cidade de Florianópolis, em Santa Catarina. O meio de transporte dessa trajetória? Uma jangada, com algumas adaptações, trazida por terra diretamente da Paraíba pelo navegador Vicente Stanislaw Klonowski, e que em mar aberto, superou as expectativas e deixou o viajante são e salvo no destino estabelecido.
Surpresas boas em alto mar
O tempo de viagem em mar aberto foi exatamente como o previsto: cinco dias. E mesmo com a jangada restaurada com adaptações no casco, a construção de uma segunda caixa de bolina, e com o adicional de equipamentos básicos para navegação noturna, a sua qualidade náutica, de início, ainda era desconhecida. Porém, as surpresas agradaram muito. “Eu não acreditava que uma embarcação movida à vela de algodão andasse tão bem”, confessa Stanislaw.
Durante a viagem, as escalas de mar aberto da partida até a chegada foram Barra de Icapara, Ilha do Bom Abrigo, Praia das Encantadas (Ilha do Mel), Baia de São Francisco, Ilha da Paz, Porto Belo e, de lá, finalmente o Iate Clube de Jurerê, em Florianópolis.

foto: divulgação
Detalhes do acabamento da jangada


Apesar do bom desempenho do barco, as condições meteorológicas de inverno fizeram Vicente passar madrugadas à dentro com muita exposição ao frio. Além disso, alguns equipamentos como o rádio VHF, que esteve o tempo todo surdo a longa distância, fez falta e poderia ter lhe salvado de algumas situações desconfortáveis.
No geral, a adaptação do navegador com o barco foi boa, mas ficou marcada por cãibras terríveis, e pela fácil perda de objetos. O momento de maior risco da viagem aconteceu na ultrapassagem da Barra de Icapara, com vagas altas em arrebentação. “Confiei na força de um vento sudoeste e ele me levou para fora”, conta. Já as melhores condições de vento vieram nos períodos da tarde. “Isso me dava uma grande satisfação, dava risada sozinho ao ver aquela armação de pano de algodão, bambus e o mastro encurvado, fazendo um barco ir para onde eu queria num mar largo e sem ninguém a vista, sem barulho de motor e com um combustível eterno”.
foto: divulgação
O intercâmbio náutico

Para quem está acostumado a ver percursos como esse a bordo de barcos modernos e equipados, a viagem parece mesmo uma aventura. Já para Stanislaw foi um teste, que serviu para avaliar a embarcação e também a sua adaptação para um projeto planejado para o verão. Esse projeto consiste num intercâmbio de barcos tradicionais brasileiros. “O maior objetivo é navegar nestes barcos e levá-los para onde eles não existem”, alega.
Se uma baleeira já faz sucesso nas águas de Florianópolis, não custa imaginar o impacto que ela não terá em outras regiões do país. Para Vicente, são os barcos diferentes dos que vemos habitualmente que despertam a atenção de pescadores e de pessoas envolvidas com o mar. E como nenhum intercâmbio é feito apenas de deslocamento, o projeto visa também uma maior aproximação com as comunidades para desenvolver o saber náutico que acontece pela leitura da própria natureza.

foto: divulgação
Crianças curiosas com o velejador


Para Vicente, em nossos dias – apesar dos equipamentos e recursos tecnológicos – esse saber popular continua essencial. “Foi ele que embasou todo conteúdo científico. O mais surpreendente é que o marinheiro mais respeitado é aquele que além dos equipamentos sabe ler o céu e o mar, como o piscar das estrelas”, conta.

Por Fabricia Zamataro e Karen Pitanga

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