Viajar de veleiro



A maravilha de se viajar de veleiro é que basta que se decida ir para algum lugar, tudo que se tem que fazer é levantar a âncora,içar velas e ir embora.Essa sensação de liberdade é fabulosa,é quase como ter asas e voar livremente,basta bate-las.

Helio Setti Jr.

Tem que ir, ver e sentir!


"...Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu, para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor, e o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o seu próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver..."


Amir Klink


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Rolex Sydney Hobart Yacht Race: o último grande desafio do ano acontece dia 26

 

Os países que fizeram parte do Império Britânico comemoram o "Boxing Day" no primeiro dia útil após o Natal, quando os presentes eram distribuídos aos empregados. Nos domínios da Vela, o dia seguinte ao Natal é reservado àquela que é provavelmente a regata oceânica mais respeitada do planeta, a Rolex Sydney Hobart. O brasileiro Edgardo Vieytes vai correr a edição deste ano, tentando remontar a época em que já fizemos história na regata, como o recorde de Torben Grael, em 1996.
Com 67 anos de história, a Rolex Sydney Hobart é um dos mais duros testes para homens do mar e seus veleiros. As 628 milhas náuticas entre Sydney, na Austrália, e Hobart, na ilha da Tasmânia, usualmente escondem alguma surpresa de mau tempo durante a regata. A travessia do estreito de Bass é uma das experiências mais desafiadoras que um velejador pode almejar. Lá, a profundidade em alguns locais muda abruptamente de mil para apenas 10 metros, favorecendo a formação de ondas gigantescas. Nas latitudes dos 40º, os "quarenta bramadores", o vento circula o planeta relativamente sem obstáculos, o que também levanta ondas enormes no caminho. Entre os participantes da edição 2011 está o vencedor absoluto da infame edição de 1998, quando a tragédia mundialmente famosa se abateu sobre a flotilha. Com tanta tradição e tantos desafios, não é de surpreender que ela seja a regata oceânica de maior audiência no planeta.
A edição deste ano vai ser especialmente empolgante, com alguns barcos novos se juntando à flotilha de grandes campeões, como o Wild Oats IX, fita-azul em cinco das seis edições passadas.

Desafio cresce com o tamanho das ondas

Entre os veleiros novos nesta edição está o Ker 40 australianoAFR Midnight Rambler (AUS), lançado à água em setembro, de Ed Psaltis, Bob Thomas e Michael Bencsik. Psaltis e Thomas ficaram para a história como vencedores do inesquecível ano de 1998. O iate mais velho, por sua vez, 79 anos, e também é australiano, oMaluka of Kermandie, 9 metros de Sean Langman. Para quem acha que Langman é um velejador sem aspirações, vale lembrar que, em 2002, ele foi o segundo a completar a prova com o 66 pés Grunding, deixando vários maxi-iates para trás.
Uma prova do valor de Langman é que seu iate nesta edição não é apenas o mais velho, mas também o menor, em contrastes com os máxis de 100 pés, gigantes em tamanho e também em tecnologia. O Wild Oats XI, projeto de Reichel Pugh, é o atual detentor do recorde, com 1 dia, 18 horas, 40 minutos e 10 segundos registrados em 2005. Neste ano, eles vão tentar a sexta fita-azul – conferida ao primeiro a cruzar a linha de chegada – em sete participações. Mas entre os concorrentes existem outros gigantes do mesmo tamanho, como o Investec Loyal, tripulada por alguns dos melhores velejadores do mundo e algumas celebridades australianas, como o bicampeão da Copa do Mundo de Rugby (e uma estrela por lá) Phil Kearns e o ex-campeão mundial de boxe Danny Green. Entre as "celebridades" está também o navegador americano Stan Honey, vencedor da Volvo Ocean Race em 2006, com o ABN Amro One. Curiosamente, a única vez que Honey participou desta regata, em 2006, com o próprio Volvo 70 ABN Amro One, o barco teve o mastro quebrado e ele não completou a prova. "Nós tínhamos acabado de passar o Wild Oats e assumir a liderança quando o mastro quebrou. Ou seja, eu larguei, mas não terminei", contou. Lembrando que a Rolex Sydney Hobart já fez parte da Regata Volta ao Mundo em edições passadas, ele comemorou a oportunidade de voltar a disputá-la. "Eu estou muito empolgado em voltar aqui. A combinação da Corrente Leste Australiana e a meteorologia de rápidas mudanças fazem da navegação da Rolex Sydney Hobart um desafio dos grandes".
Brasileiros: poucos, mas importantes
Entre os 93 inscritos, além de barcos de todos os estados australianos, há também veleiros da França, Hong Kong, Nova Zelândia, Reino Unido e dos EUA. Os brasileiros são raros, mas capazes de fazer história. Em 1996, Torben Grael foi um dos timoneiros do Morning Glory, de Hasso Plattner, e quebrou o recorde da regata em tempo real, feito raro, que só aconteceu seis vezes durante os 67 anos de disputas.
O recorde de Torben veio 21 anos após o recorde anterior. "O desafio era tão grande, que a organização colocou um prêmio de 35 mil dólares australianos para quem conseguisse a façanha", lembra Torben. No barco do brasileiro estava a tripulação neozelandesa campeã da última America`s Cup praticamente completa, incluindo o capitão Russell Coutts.
Apesar da tripulação de estrelas, o barco de Torben era dúvida na largada. "Três dias antes da regata, num treino despretensioso e sem forçar o barco tivemos o mastro quebrado. Lembro que Hasso fretou um avião Antonov especialmente para trazer o mastro reserva de Los Angeles. Depois de uma maratona da tripulação, fomos para a largada cautelosos com a previsão de vento muito forte na primeira noite. Bem no finalzinho do dia, quando o vento aumentou tivemos de descer a vela grande para pequenos reparos. Enquanto fazíamos isso, outros dois barcos grandes perderam seus mastros o que nos levou a passar a noite apenas com a Genoa 4 pra cima, sem vela grande, pois as ondas altas de proa, muito curtas faziam o barco bater violentamente", conta Torben.
Mas o final foi feliz para o brasileiro: "Foi uma noite de cão, mas já na manhã seguinte o vento amainou e aos poucos foi rondando para trás facilitando uma singradura mais rápida que acabou nos levando ao recorde, por poucos minutos".
Outro brasileiro que também está fazendo história é Edgardo Vieytes. Vieytes foi um dos pioneiros da classe olímpica 49er no Brasil, mas logo se voltou para a vela oceânica e hoje o brasileiro mais experiente na Rolex Sydney Hobart. Tão experiente que neste ano ele será o primeiro brasileiro a assumir o posto de capitão de um barco, o Accenture (Yeah Baby), um GP 42 todo em carbono. "É uma honra enorme. No barco só tem fera, entre eles três campeões mundiais: Ben Austin, campeão mundial de 49er, e os gêmeos Tim Austin & Rob Bell, campeões mundiais de Skiff 18. Eu serei timoneiro e capitão, o primeiro brasileiro a ser capitão nesta regata! Mesmo quem está longe da Austrália vai poder acompanhar o trabalho de Edgardo – basta um pouco de insônia, porque a regata começa à meia-noite no horário de Brasília. O veleiro de Edgardo terá uma câmera transmitindo em live-streaming durante a regata.
Estreantes e veteranos
Embora esta edição conte com muitos estreantes, incluindo a jovem Jessica Watson, hoje com 18 anos. No ano passado, três dias antes de completar 17 anos, ela se tornou a pessoa mais jovem a dar ao mundo a vela sozinha e sem assistência. No dia 26 de dezembro, às 13h locais (0h no horário brasileiro de verão), ela vai comandar uma tripulação cuja média de idade é de apenas 19 anos. No outro extremo está Tony Cable, que pretende participar da regata pela 46ª vez. Ou seja, ele já participou de mais de dois terços de todas as regatas já disputadas. Esse certamente sabe como aproveitar seu Boxing Day.