Viajar de veleiro



A maravilha de se viajar de veleiro é que basta que se decida ir para algum lugar, tudo que se tem que fazer é levantar a âncora,içar velas e ir embora.Essa sensação de liberdade é fabulosa,é quase como ter asas e voar livremente,basta bate-las.

Helio Setti Jr.

Tem que ir, ver e sentir!


"...Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu, para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor, e o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o seu próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver..."


Amir Klink


domingo, 17 de julho de 2011

Descoberta histórica: Submarino U-513 é localizado em Santa Catarina

Materia copiada na integra do blog do João Paulo Lucena ,um blog que eu recomendo como muito legal.

U-Boat. Fonte: Lock the Welder

Durante a II Guerra Mundial estima-se que pelo menos 11 submarinos alemães tenham afundado em águas brasileiras, especialmente quando da grande ofensiva de 1943 feita por Hitler nas águas do Atlântico.

Também conhecidos como U-Boats, depois de 68 anos no fundo do mar o primeiro deles - o U-513 -também chamado de o "Lobo Solitário" foi finalmente localizado por uma equipe de pesquisadores do Instituto Kat Schürmann e da Universidade do Vale do Itajaí, nas proximidades de São Francisco do Sul (SC).

Sem dúvida trata-se de um evento histórico e o submarino encontrado, cujas coordenadas exatas ainda não foram reveladas, está a 75 metros de profundidade, o que significa que será um dos raros naufrágios desta natureza acessível a mergulhadores.

O U-513 era um submarino do tipo IX C, lançado em 1941 e e representava um dos maiores exemplos do grande avanço da tecnologia alemã de batalha.

O U-513 parte da sua base na França. Fonte: Revista Época

U-513. Fonte: The Battle of Bell Island

Depois de torpedear pelo menos três navios em águas brasileiras, no dia 19 de julho de 1943 o avião Martin PBM Mariner do Esquadrão VP-74/P5, comandado por Roy S. Whitcomb e operando em apoio ao navio de guerra americano USS Banergat, localizou o submarino e o atacou com cargas de bombas. Atingido na popa de forma irreparável o U-513 afundou imediatamente.

O hidroavião Martin PBM. Fonte: Uboatarchive.net

Interior do Martin PBM. Fonte: Uboatarchive.net

A sequência de imagens a seguir foi captada a partir do avião de ataque e tida como do afundamento do U-513:

Fonte: História de Iguape

As próprias aeronaves de patrulha lançaram botes salva-vidas e os sobreviventes foram recolhidos pelo navio USS Barnegat, integrante da força norte-americana enviada para deter o U-513. Da tripulação de 54 homens, somente 7 sobreviveram, incluindo o capitão Friedrich Guggenberger que ficou bastante ferido.

USS Banergat recolheu os sobreviventes do U-513 - Fonte: Uboatarchive.net

Cargueiro "Tutoya", torpedeado pelo U-513 na costa brasileira em 1943.
Fonte: História de Iguape

O cargueiro norte-americano Elihu B. Washburne, outra embarcação afundada pelo U-513 em águas brasileiras.
Fonte: Fundação Mar

Apenas um colete salva-vidas que chegou à costa poucos dias depois foi o que sobrou do U-513. Já os relatórios confidenciais do ataque, do resgate da tripulação e dos interrogatórios dos prisioneiros alemães estão integralmente disponíveis na internet no site UBoat Archive, uma interessante leitura para os apreciadores do tema.
O comandante do submarino Friedrich Guggenberger merece uma história à parte.

Friedrich Guggenberger.
Fonte: Wikipedia

Com apenas 28 anos quando o U-513 foi afundado no Brasil, já possuía importantes condecorações e uma extensa folha de serviços prestados à Marinha alemã. Herói de guerra no seu país, foi o responsável pelo afundamento de inúmeros navios e do poderoso porta-aviões inglês HMS Ark Royal, nas cercanias de Gibraltar.
Depois de capturado Guggenberger foi levado para os Estados Unidos para interrogatórios. Lá fugiu duas vezes dos campos de prisioneiros, até ser transferido para a Alemanha e lá libertado em 1946. 
Após a guerra formou-se em arquitetura e voltou à Marinha em 1956. Mesmo tendo sido prisioneiro de guerra nos EUA, esteve de novo naquele país para cursar a Naval War College em Newport, EUA, tendo chegado ao posto de Contra-Almirante e de comandante das forças da OTAN.
Aposentou-se em 1972 e em 13 de maio de 1988 desapareceu misteriosamente durante um trekking em um bosque, tendo seu corpo sido encontrado somente dois anos depois.
O descobrimento do submarino no mar catarinense se deu depois de dois anos de pesquisas em arquivos brasileiros, americanos e alemães, dentro de um projeto conjunto do Instituto Kat Schurmann e da Universidade do Vale do Itajaí (Univali). A fase de prospecção oceanográfica foi iniciada no último dia 9 de julho pelo veleiro Aysso, comandado por Vilfredo Schürmann, com a localização do objetivo no dia 14, por volta das 22 horas.

A Família Schürmann ficou famosa pelas suas navegações ao redor do mundo a bordo de veleiros e desde então se dedica a vários projetos, inclusive educacionais. A idéia de buscar o submarino perdido veio de uma conversa de Vilfredo Schürmann durante uma velejada no ano de 2002, quando soube da história do U-513 e toda a  investigação está sendo registrada para um futurodocumentário.

Trabalhos de prospeção marítima no Veleiro Aysso. No destaque o Comandante Vilfredo Schürmann.
Fonte: Revista Época

Um esquema bastante interessante sobre o U-513 e as prospecções feitas pelo Aysso foi preparado pelo Jornal Zero Hora de pode ser visto AQUI.

"O Último Mergulho", Ed. Record

Há alguns anos li um livro muito interessante chamado "O Último Mergulho", de Bernie Chowdhury (Ed. Record, ISBN: 85-01-06006-2), sobre uma história real que trata dos esforços e aventuras de um grupo de mergulhadores de profundidade na exploração de um U-Boat espião na costa dos Estados Unidos.

Uma grande rede de informações e imagens sobre os U-Boats também está disponível em sites especializados na internet como o UBoat.Net e oUBoat.Archive e cada nova descoberta de um embarcação perdida é imensamente comemorada.

Alguns submarinos alemães da II Guerra Mundial que sobreviveram ao tempo ou que foram recuperados do mar estão hoje abertos à visitação pública e atraem grande fluxo de visitantes, assim como o U-995, em Laboe, Alemanha, ou o U-534, em Wallasey, Inglaterra.

U-995 em Laboe, Alemanha. Fonte: Wikipedia

U-535 em Wallasey, Inglaterra. Fonte: Geograph

Quem sabe o Brasil não poderá ter um dia o seu próprio parque temático em Santa Catarina?

A Familia Schümann já anunciou que o resgate do U-513 do fundo do mar seria inviável financeiramente devido ao seu peso, superior a 700 toneladas, mas que já há a intenção de construir uma réplica da embarcação.

Agora é esperar para que se inicie a fase de exploração submarina do U-513, a partir da qual muitas notícias interessantes vão surgir. Parte do material poderá ser usado para um quadro no programa “Fantástico”, da TV Globo e para uma série no Discovery Chanel, além de um documentário específico produzido pelos Schürmann e cujo trailer vocês pode conferir abaixo.

Agora é esperar para ver!

PARA SABER MAIS:

- Submarino alemão próximo a São Francisco do Sul - 24/03/2006
- História de Iguape - Navio "Tutoia" é torpedeado pelo U-513 - 27/12/2008
- The Battle of Bell Island - 11/07/2009
- Navio "Tutóia" é torpedeado pelo Revista Época - 11/09/2009
- Naufrágio do U-513 é filmado em Barra Velha - 26/04/2010
- Diário Catarinense - 03/07/2011
- Família Schürmann encontra submarino alemão U-513 nesta quinta depois de dois anos de buscas - Jornal Zero Hora - 14/07/2011
- Família Schürmann e pesquisadores da Univali encontram submarino nazista U513 - Revista Época - 15/07/2011
- Família Schürmann
- U-Boat - Wikipedia
- UBoat Net
- UBoat Archive
- UBoatwaffe
- U-513 - O Lobo Solitário - Documentário da Família Schürmann em produção

Postado por João Paulo Lucena